Já vimos como deve ser a dieta de manutenção para cães adultos saudáveis. Mas e os filhotes de cães? A partir de que idade podemos oferecer a eles carne e ossos crus? Como garantir o desenvolvimento ósseo e muscular na fase de crescimento? O que se pode esperar de um filhote criado com alimentação natural? Vamos lá!

Silky Terriers de 12 semanas comendo carne com ossos
Meu filhote está em casa, e agora?
Seu cãozinho tem por volta de 60 dias e acaba de chegar à sua casa. Muito provavelmente ele comia ração especial para filhotes no canil e o criador lhe entregou um pouquinho dessa ração para você fazer a adaptação. A grande vantagem dos filhotes é, em geral, a falta de cerimônia para comer e a grande capacidade de adaptação e aprendizado. Mas, para evitar reações indesejadas recomendamos que você substitua gradativamente a ração pelos novos alimentos de acordo com o esquema abaixo:
1º dia: 90% ração e 10% pescoço de frango moído ou batido no liquidificador. Veja aqui como é fácil triturar pedaços pescoços de frango crus no liquidificador ou processador de alimentos, com um pouquinho de água morna ou quente. Se não quiser ou nconseguir fazer o patê em casa, peça ao seu açogueiro para moer os pescocinhos para você.
2º dia: 80% de ração e 20% de patê de pescoços.
3º dia: 70% ração e 30% patê de pescoços.
4º dia: 60% ração e 40% patê de pescoços.
5º dia: 50% ração e 50% patê de pescoços.
6º dia: 40% ração e 60% patê de pescoços.
7º dia: 30% ração, 60% patê de pescoços e 10% peito de frango sem ossos
8º dia: 20% ração, 60% patê de pescoços e 20% peito de frango sem ossos
9º dia: 10% ração, 60% patê de pescoços, 20% peito de frango sem ossos e 10% cenoura (crua e liquidificada ou cozida)
10º dia: 60% patê de pescoços, 25% peito de frango sem ossos e 15% cenoura (crua e liquidificada ou cozida)
Ofereça pelo menos 3 refeições ao dia até ele completar 6 meses de idade.
Depois desse processo introduza os suplementos, um de cada vez, e em seguida comece a variar os legumes. Depois comece a alternar o peito de frango sem ossos por outras carnes (bovina, suína, vísceras) uma de cada vez. Quando o filhote já estiver mastigando bem comece a oferecer o pescoço cortado em rodelas (corte em cada anel da traquéia), para estimulá-lo a mastigar. E, por fim, quando ele já estiver devidamente habituado, ofereça pedaços maiores e, finalmente, o pescoço inteiro.
Recomendamos começar sempre com pescoço de frango por ser o meaty bone mais seguro e mais fácil de ser abordado por cães inexperientes. (Nunca comece oferecendo pés de frango ou drumetes (a coxina da asa de frango); são um desafio maior para o trato gastrointestinal dos filhotes!).
Sempre ofereça meaty bones crus – jamais assados, fritos, cozidos ou aquecidos de qualquer maneira. A cocção é o que altera a composição do osso, tornando-o perigoso para a ingestão.
Filhotes que crescem alimentados com meaty bones produzem fezes mais firmes e em menor volume, e são geralmente mais fortes e musculosos. Os atos de puxar, rasgar e mastigar carcaças e ossos oferecem ocupação e atividade, contribuindo para deixar o cãozinho mais calmo. Alguns criadores relatam que filhotes alimentados com dietas naturais podem crescer um pouco menores, mas muito vigorosos. Não é motivo para preocupação. A dieta natural não raro faz com que os filhotes cresçam de modo mais lento e constante, sem espichamentos potencialmente danosos à estrutura óssea e às articulações. O filhote atingirá a altura esperada; apenas poderá demorar um pouco mais.
Você notará que as receitas do cardápio semanal (apresentado abaixo) contêm fontes opcionais de carboidratos, como arroz cozido. Tais ingredientes suprem a maior necessidade energética dos filhotes, principalmente se eles forem chatinhos para comer ou se, por qualquer motivo, eles não estiverem ganhando peso como você gostaria. Mas volto a repetir: tal adição à dieta é opcional. Se você não sentir necessidade de acrescentar essa fonte de energia extra, não haverá problemas. Muitos filhotes crescem maravilhosamente bem à base de carcaças cruas ou meaty bones acrescidos de legumes e de alguns suplementos. Vai de cada um.

Sarábi bebezinha devorando um pedaço de pescoço de frango
Leite
Muita gente gosta de oferecer leite para filhotes desmamados, mas não é muito boa idéia. O leite próprio para o filhote é aquele produzido pela mamãe canina, contendo tudo o que o bebê precisa. Na natureza, os filhotes desmamam à medida que o leite já não oferece todos os nutrientes e a partir do momento em que passam a ser capazes de comer alimentos sólidos. Mas, se quiser oferecer leite mesmo assim, faça-o ocasionalmente, como um petisco.
Uma particularidade interessante: se alimentadas com dieta natural, as cadelas podem produzir leite de ótima qualidade até os três meses de idade do filhote! Em contrapartida, as fêmeas comendo ração costumam secar muito antes.
Cálcio
Todo mundo já ouviu falar que filhotes requerem uma grande quantidade de cálcio para crescerem saudáveis. Isso é verdade. Mas o que poucos sabem é que deficiências leves de cálcio são muito menos prejudiciais do que o excesso de cálcio. É claro que o melhor é ofertar a quantidade ideal, nem pra mais, nem pra menos.
Mas se você errar para menos, o organismo se vira para reabsorver mais cálcio. Agora, ao ofertar esse mineral em excesso, você contribui para o desenvolvimento de problemas ósseos, entre outros males.
O cardápio postado aqui fornece cálcio na melhor forma possível: diretamente da ingestão de ossos. Não precisa oferecer suplementos à base de cálcio – tais aditivos são inclusive, contra-indicados para filhotes alimentados com uma dieta balanceada.
Vale lembrar que a exposição diária ao sol também contribui para evitar desequilíbrios. Os raios solares contêm radiação ultravioleta, que em contato com os vasos sangüíneos da pele, ativam a vitamina D obtida por meio da ingestão de alimentos. Uma vez ativada, a vitamina D ajuda o organismo a reter o cálcio, absorvendo esse mineral no intestino. É por isso que para os ossos do filhote crescerem saudáveis, não basta somente oferecer cálcio. Mas aquela cochilada na frente da janela ou porta de vidro fechadas não conta. O animal tem que ficar diretamente exposto aos raios solares. Sol “filtrado” por superfícies de vidro perde os raios ultravioletas e fica reduzido a uma fonte de calor. Essa orientação é particularmente importante para filhotes que crescem em apartamento, principalmente os de porte grande.
Em caso de dúvidas, sugiro consultar um médico veterinário, de preferência, um especialista em nutrição pet.
Proporção e quantidade
Enquanto um cão adulto de atividade moderada precisa ingerir de 1,5% a 3,5% do seu peso total diariamente, um filhote de 2 a 4 meses precisa comer de 6% até 8% do seu peso por dia, dividido em três refeições. Filhotes estão em crescimento e precisam de muita energia, gordura e proteína para o desenvolvimento de novos tecidos e para a manutenção de um metabolismo naturalmente mais acelerado. O cálculo segue o mesmo raciocínio que usamos para a dieta de cães adultos, mudando apenas a porcentagem, que para os filhotes deve ser de mais ou menos 7%.
Note que essa porcentagem é apenas uma média. Comece oferecendo cerca de 7% do peso do filhote em alimentos por dia e observe-o por alguns dias.
Você saberá que 7% é muita comida se:
* em poucos dias o filhote engordar muito,
* o abdômen dele se dilatar anormalmente após cada refeição,
* ele freqüentemente regurgitar (“devolve”) o alimento durante ou logo após a refeição,
* sobrar comida no prato;
* a frequência das defecações, bem como o volume das fezes, aumentar muito.
E se ele emagrecer? Aumente a porcentagem para 7,5% ou 8% e acrescente uma fonte de carboidratos (até 20% da dieta na forma de pães integrais, arroz integral cozido, lentilha cozida ou tubérculos cozidos). Nesse caso, institua um cardápio com as seguintes proporções: 50% meaty bones, 20% fonte de carboidratos, 10% legumes e 20% carnes desossadas, ovos e um pouco de vísceras (os suplementos entram à parte). Aqui você encontra outras dicas de como acrescentar mais energia (calorias) à dieta.
Pode ser interessante consultar também o diário que criamos para divulgar o manejo nutricional, entre outros assuntos, de nossa filhote de Golden Retriever. O blog aborda desde a primeira refeição da Sarabi, aos 48 dias de idade, até os dias atuais. Lá você lerá sobre nossos erros e acertos. Um desses erros: no início acreditávamos que 5% do peso da bebê (1.8kg) seria uma porcentagem razoável para mantê-la bem por algumas semanas. Que nada! Em pouco tempo subimos esse percentual para 8,5%!
O importante é lembrar que cada filhote tem um metabolismo diferente. Cabe aqui aquela regrinha básica: filhote magro, mais comida; filhote gordinho, menos comida. Especialistas recomendam que filhotes de raças médias, grandes e gigantes sejam mantidos ligeiramente esbeltos a fim de evitar comprometimento ósseo e articular. Na dúvida, consulte um veterinário.

Filhotes de 5,5 semanas de Bulldogues Franceses nascidos da terceira geração de Frenchies alimentados com dieta natural.

Cardápio Semanal
Indicação: filhote de 2 meses pesando 4kg
Proporção adotada: 7% do peso
Quantidade total a ser oferecida por dia: 280 gramas
Quantidade a ser oferecida em cada refeição: 93 gramas
Formulação:
50% meaty bones (ossos carnudos)
15% carnes / ovos
5% vísceras
20% carboidratos
10% vegetais (fonte de fibras)
Segunda-feira:
Dividir em três ou quatro refeições:
168 gramas de pescoço de frango cru, com pele (com ou sem cabeça)
38 gramas de carne (sem ossos) ou ovos (de galinha ou de codorna), crus
13 gramas de fígado cru
50 gramas de aveia cozida (pode ser cozida em água, ou em leite semi-desnatado, ou integral diluído em água 1:1)
25 gramas de cenoura (cozida ou crua, porém liquidificada)
mais os suplementos:
1 colher de sobremesa de azeite de oliva, óleo de canola ou de girassol
1 colher de café de levedura de cerveja
1 colher de chá de iogurte integral
1 lâmina fininha de alho cru (cerca de 1/7 a 1/8 de um dente de alho)
Opcionais
200 mg de vitamina C
100 UI (Unidades Internacionais) de vitamina E
Terça-feira:
Dividir em três ou quatro refeições:
125 gramas de carcaça ("dorso", "costela") de frango cru, com pele
28 gramas de carne (sem ossos) ou ovos (de galinha ou de codorna), crus
56 gramas de arroz integral ou branco cozido
28 gramas de abóbora (cozida ou crua, porém liquidificada)
mais os suplementos:
1 colher de sobremesa de azeite de oliva, óleo de linhaça ou óleo de canola
1 colher de café de levedura de cerveja
1 colher de chá de iogurte integral
1 lâmina fininha de alho cru (cerca de 1/7 a 1/8 de um dente de alho)
Quarta-feira:
Dividir em três ou quatro refeições:
125 gramas de asas de frango cru, com pele
38 gramas de carne (sem ossos) ou ovos (de galinha ou de codorna), crus
13 gramas de moela crua
50 gramas de batatas cozidas, com casca
25 gramas de vagem (cozida ou crua, porém liquidificada)
mais os suplementos:
1 colher de sobremesa de azeite de oliva, óleo de linhaça ou óleo de canola
1 colher de café de levedura de cerveja
1 colher de chá de iogurte integral
1 lâmina fininha de alho cru (cerca de 1/7 a 1/8 de um dente de alho)
Opcionais
200 mg de vitamina C
100 UI (Unidades Internacionais) de vitamina E
Quinta-feira:
Dividir em três ou quatro refeições:
125 gramas de pescoço de frango cru, com pele (com ou sem cabeça)
50 gramas de carne crua (sem ossos) ou ovos (de galinha ou de codorna) crus
50 gramas de aveia cozida (pode ser cozida em água, ou em leite semi-desnatado, ou integral diluído em água 1:1)
25 gramas de brócolis (cozido ou cru, porém liquidificado)
mais os suplementos:
1 colher de sobremesa de azeite de oliva, óleo de linhaça ou óleo de canola
1 colher de café de levedura de cerveja
1 colher de chá de iogurte integral
1 lâmina fininha de alho cru (cerca de 1/7 a 1/8 de um dente de alho)
Opcionais
200 mg de vitamina C
100 UI (Unidades Internacionais) de vitamina E
Sexta-feira:
Dividir em três ou quatro refeições:
125 gramas de pescoço de frango cru, com pele (com ou sem cabeça)
50 gramas de um pequeno peixe inteiro, cru ou cozido (ex: sardinha, manjuba, etc)
50 gramas de batata doce cozida com casca
25 gramas de ervilha torta (cozida ou crua, porém liquidificada)
mais os suplementos:
1 colher de sobremesa de azeite de oliva, óleo de linhaça ou óleo de canola
1 colher de café de levedura de cerveja
1 colher de chá de iogurte integral
1 lâmina fininha de alho cru (cerca de 1/7 a 1/8 de um dente de alho)
Opcionais
200 mg de vitamina C
100 UI (Unidades Internacionais) de vitamina E
Sábado:
Dividir em três ou quatro refeições:
125 gramas de carcaça de frango ("costela", "dorso") crua, com pele
50 gramas de carne crua (sem ossos) ou ovos (de galinha ou de codorna) crus
50 gramas de arroz cozido (branco ou integral)
25 gramas de cenoura (cozida ou crua, porém liquidificada)
mais os suplementos:
1 colher de sobremesa de azeite de oliva, óleo de linhaça ou óleo de canola
1 colher de café de levedura de cerveja
1 colher de chá de iogurte integral
1 lâmina fininha de alho cru (cerca de 1/7 a 1/8 de um dente de alho)
Opcionais
200 mg de vitamina C
100 UI (Unidades Internacionais) de vitamina E
Domingo:
Dividir em três ou quatro refeições:
125 gramas de pescoço de frango cru, com pele (com ou sem cabeça)
38 gramas de carne crua (sem ossos) ou ovos (de galinha ou de codorna) crus
13 gramas de fígado cru
50 gramas de banana crua
25 gramas de brócolis (cozido ou cru, porém liquidificado)
mais os suplementos:
1 colher de sobremesa de azeite de oliva, óleo de linhaça ou óleo de canola
1 colher de café de levedura de cerveja
1 colher de chá de iogurte integral
1 lâmina fininha de alho cru (cerca de 1/7 a 1/8 de um dente de alho)
Opcionais
200 mg de vitamina C
100 UI (Unidades Internacionais) de vitamina E
É preciso seguir à risca esse cardápio?
Claro que não. Ele serve como uma referência para iniciantes na dieta natural - embora possa, sem problema algum, ser adotado por tempo indeterminado. A Alimentação Natural é bastante flexível, basta entender as proporções que cada categoria de alimento - meaty bones, carnes, vísceras, legumes, suplementos - ocupa na dieta, e ter bom senso. Variar ao máximo os alimentos é muito interessante, mas não tem problema se você não puder oferecer peixes semanalmente, por exemplo. Da mesma forma, se preferir oferecer frango e não peru, tudo bem. Com o tempo, você acabará adaptando nossas orientações à sua realidade e às preferências de seu cão e se sentirá muito mais seguro em relação à dieta!
Frutas que podem ser oferecidas em pequenas quantidades diariamente como petiscos para adestramento ou “lanche”, ou no purê da noite ocasionalmente: maçã, banana (com casca, se ele aceitar), manga, mamão, figo, caqui, morango, pêra. Não ofereça sementes ou caroços. Água de côco também pode ser oferecida – mas não exagere para não causar diarréia.
Vegetais que podem ser oferecidos: cenoura, batata cozida, tomate, beterraba, abobrinha, pimentões, batata doce cozida, inhame cozido, mandioquinha cozida, folhas verdes (salsinha, alecrim, rúcula, couve, almeirão, etc), abóbora.
Vegetais que devem ser oferecidos com menos freqüência: brócolis, berinjela e couve-flor. Observação: alguns cães têm alergia a batatas. Se você as ofereceu e observou diarréia no filhote, risque esse ingrediente do cardápio.
Preparo dos vegetais: há legumes que podem ser oferecidos tantos crus quanto cozidos. É o caso da cenoura, folhas verdes, beterraba, pimentões, abóbora e abobrinha. Já tubérculos como a batata, a batata doce, o inhame e a mandioquinha devem sempre ser cozidos (sem tempero) para anular elementos potencialmente tóxicos e tornar esses alimentos mais digestíveis.
Alimentos crus estão no seu estado natural e por isso são mais nutritivos. Em contrapartida, precisam ser liquidificados para serem digeridos e assimilados pelo trato digestório dos cães. O oposto ocorre com os alimentos cozidos: são menos nutritivos, mas são mais saborosos e mais facilmente digeridos. Se possível, alterne; oferecendo alimentos crus e cozidos.
Preparo dos grãos: cereis e leguminosas, como lentilha, aveia, arroz integral, painço e cevada precisam estar muito bem cozidos para serem digeridos pelo trato digestório de carnívoros como os cães. Para dar uma forcinha extra, deixe esses grãos de molho em água morna por 8 horas com algumas gotinhas de limão ou de soro de iogurte para que os cereais percam fatores que atrapalham a absorção de nutrientes, como os fitatos. O arroz branco não precisa ser deixado de molho, mas é naturalmente mais pobre em nutrientes.
Alimentos a evitar (possivelmente tóxicos ou prejudiciais aos cães)
Chocolate, açúcar, frituras, alho em excesso, cebola, macadâmias, chá preto, café, pimenta, bebidas alcólicas, batata germinada ou brotos de batata, batata crua, espinafre, sementes de frutas, sal, uva e uva passa, adoçantes, refrigerantes, folhas e caules de tomate, folhas de abacate, abacate, folhas e caules de batata, ruibarbo, folha de berinjela, folha de beterraba.
Ajustando as quantidades
À medida que o filhote cresce, a porcentagem usada para se chegar ao cálculo do total diário de alimentos diminui. Por exemplo, nossa Golden Retriever aos dois meses recebia 8% do peso dela (1.8kg) em comida por dia. Hoje (março de 2009) ela está com 4 meses e come 6% do peso (9kg) em alimentos. O ajuste das quantidades é um pouco no “olhômetro”. Com ração também não é assim?
Faça a si mesmo as seguintes perguntas. O filhote está se desenvolvendo bem? Está no peso esperado para sua idade, sexo e raça? Os ossos estão aparentes? Está alegre e saudável? As fezes estão mantendo mais ou menos o mesmo volume? Continue oferecendo a mesma porcentagem até haver motivos que justifiquem o ajuste das quantidades.
Com o amadurecimento, o metabolismo do filhote vai ficando menos acelerado e menos exigente. Ainda usando minha Golden como exemplo: por volta dos três meses de idade, notamos que a Sarabi estava um pouco magrinha. Introduzimos uma quarta refeição diária na forma de um mingau de aveia com leite diluído em água filtrada (mais sobre isso aqui). Em menos de duas semanas ela já parecia mais arredondada e forte. Suspendemos, pelo menos por ora, o mingau.
A partir dos seis meses de idade, você pode passar o filhote para duas refeições ao dia, em vez de três. Entretanto, se seu filhote for de raça grande ou gigante, a manutenção de três refeições por dia reduz sensivelmente o risco de ocorrer uma torção gástrica (condição grave na qual o estômago “estufa” e torce sobre o próprio eixo). A partir dos 6 meses de idade, seu filhote pode passar a receber uma dieta natural "clássica", sem adição de carboidratos, se você quiser. Foi o que fizemos com nossas Goldens. Quando completaram 6 meses passaram a receber uma dieta com a seguinte composição: 60% meaty bones, 25% carnes, ovos, peixes (e um pouquinho de vísceras) e 15% vegetais, mais os suplementos.
Ajuste dos suplementos opcionais
Quando o filhote completar 8 quilos de peso, passe a oferecer uma colher de sopa rasa de óleo vegetal e 500mg de vitamina C. A partir de 15 a 20 quilos de peso, aumente a dose de óleo para 1 colher de sopa cheia ou 2 colheres de sopa e a vitamina C para 1000mg. A partir de 20 kg, pode oferecer 400UI de vitamina E.
Para filhotes a partir de seis meses a um ano, ou com um ano e meio (dependendo do porte): vá reduzindo a porcentagem de alimentos totais ingeridos pelo filhote diariamente até atingir a porcentagem ideal para um cão adulto. Por exemplo: se seu filhote é um cão de raça média e iniciou a alimentação natural aos 2 meses comendo 5% de seu peso, reduza essa porcentagem para 4,5% quando ele completar 5 meses, depois para 4% quando ele completar 7 meses, depois para 3,5% quando ele completar 10 meses e então, quando ele atingir o peso de adulto, reduza para sua porcentagem de cão adulto equivalente a seu porte: 3 ou 2,5%. Mas lembre-se: essas são apenas orientações gerais. Nossas Goldens chegaram a receber 8% de seu peso corpóreo aos 3 meses e com 7 meses estavam recebendo 4%. Observar e acompanhar o animal de perto, se possível com auxílio do veterinário, é a melhor maneira de garantir o sucesso da dieta.
Referências consultadas
Livros:
- Work Wonders: Feed Your Dog Raw Meaty Bones: DVM Tom Lonsdale - 2005, ed. Rivetco
- Raw Meaty Bones Promote Health: DVM Tom Lonsdale - 2001, ed. Rivetco
- Canine Nutrition: DVM Lowell Ackermann, 1999, ed. Alpine
- Food Pets Die For - Shocking Facts About Pet Food: Ann N. Martin, 2008, ed. NewSage Press
- Tabela de Composição Química dos Alimentos: Guilherme Franco, 2008, ed. Ateneu
- Natural Health Diet for Dogs & Cats, DVM Shawn Messonier - 2001, Three Rivers Press
- The BARF Diet - Raw Feeding for Dogs and Cats Using Evolutionary Principles: DVM Ian Billinghurst - 2001, Warrigal Publishing
- Give Your Dog a Bone: The Practical Commonsense Way to Feed Dogs for a Healthy Life: DVM Ian Billinghurst - 1993, Warrigal Publishing
- Dr. Pitcairn’s Complete Guide to Natural Health for Dogs and Cats: 3rd Edition: DVM PhD Richard Pitcairn - 2005, ed. Rodale
- The Nature of Animal Healing: DVM Martin Goldstein - 1999, ed. Ballantine Books
- Raw Dog Food: Make It Easy for You and Your Dog: Carina Beth Macdonald - 2003 ed. Dogwise Publishing
Publicado em 15 de junho de 2008 e atualizado em 8 de março de 2010 por Sylvia Angélico

