Dieta Caseira Cozida para Gatos
Introdução
Na nossa opinião, não há alimentação melhor do que aquela preparada em casa, usando ingredientes fresquinhos e variados, selecionados com carinho por você, dono do animal. Não importa se essa dieta é do tipo BARF, se é Raw Meaty Bones, ou Modelo de Presa, ou Vegetariana. Se feita com critério, qualquer uma dessas dietas pode trazer inúmeros benefícios à saúde do seu pet. Nesse guia vamos abordar o modelo de alimentação caseira mais tradicional e difundido de todos: as dietas cozidas.
Justamente por ser muito popular, a dieta caseira cozida acabou ficando um pouco banalizada. Muita gente ainda acha que dieta caseira cozida é o mesmo que oferecer sobras das refeições da família. E até quem se propõe a preparar uma comida exclusiva para o pet também pode errar a mão, já que, sem o auxílio do veterinário, a pessoa pode formular uma dieta pouco adequada às particularidades nutricionais dos cães e dos gatos.
Você tem vontade de passar seu cão ou gato para uma dieta cozida? Confira abaixo no link abaixo nosso guia completo, com questionário abordando as principais dúvidas, e sugestões de cardápios e receitas no final. Basta navegar pelos links. Não se esqueça de ler tudo antes de começar. E, claro: conte sempre com a orientação e o acompanhamento do médico-veterinário de seu cão ou gato.

Arthur: “Que tal cozinhar para mim?”
As 18 Principais Dúvidas em Relação a Dieta Caseira Cozida para Gatos
1-) Dieta caseira cozida também é Alimentação Natural?
2-) Em que situações as dietas caseiras cozidas podem ser adotadas?
3-) Quais são as desvantagens de oferecer uma dieta caseira cozida para gatos?
4-) Qual é a maneira de cozinhar que melhor preserva os nutrientes dos alimentos?
5-) Por que as dietas caseiras cozidas não contêm meaty bones (ossos contendo carne)?
6-) O que preciso saber/fazer antes de começar?
7-) Posso oferecer tanto a cães como a gatos a mesma receita de dieta caseira cozida?
8-) Como posso saber quanto tenho de dar de comida para meu gato?
9-) As sugestões de cardápios e de receitas de dietas cozidas publicadas no site são indicadas para qualquer gato?
10-) Posso adotar uma dieta caseira metade cozida e metade crua?
11-) Como é a formulação básica da dieta caseira cozida?
12-) Posso dar metade dieta caseira cozida e metade ração?
13-) A dieta caseira cozida é completa e balanceada?
14-) Que suplementos entram no modelo de dieta caseira cozida sugerido pelo site?
15-) Posso introduzir a dieta cozida de uma vez? Ou seria melhor fazer uma transição gradual?
16-) A dieta cozida precisa ser suplementada com cálcio? Que tipo de cálcio? E quanto?
17-) Como devo preparar as leguminosas e os grãos?
18-) A dieta caseira sugerida para gatos, composta por 60% de carnes e 20% de vísceras, não é protéica demais? Não fará mal aos rins do meu gato em longo prazo?

Respostas
1-) Dieta caseira cozida é Alimentação Natural?
Não consideramos como tal. Aqui no site Cachorro Verde pelo menos, empregamos o termo Alimentação Natural para descrever dietas cruas (ou majoritariamente cruas), compostas por uma grande porcentagem de meaty bones (ossos contendo carne) ou carcaças de animais.
2-) Em que situações o Cachorro Verde sugere que as dietas caseiras cozidas sejam adotadas?
Essa é uma questão pessoal. Há pessoas que preferem as dietas cozidas porque o cozimento mata bactérias e outros microorganismos que podem estar presentes nos alimentos crus. (É preciso ressaltar, contudo, que o cozimento não destrói as toxinas produzidas por certos microorganismos, que também podem causar problemas para os gatos.)
Outras pessoas parecem preferir as dietas cozidas por achar que são mais palatáveis (saborosas) e fáceis de preparar, apesar de envolverem cozimento. E há quem opte por essas dietas porque desta forma é mais fácil encontrar um médico-veterinário disposto a acompanhar o animal, uma vez que muitos profissionais no Brasil desconhecem as dietas naturais (cruas e contendo ossos).
Mas as dietas cozidas também podem ser interessantes em outros contextos. Uma dieta menos contaminada é mais segura para gatos com baixa resistência a doenças (imunossuprimidos), como é o caso dos convalescentes e também daqueles que estão sendo tratados intensamente com antibióticos e corticóides.
Uma dieta cozida também pode servir como uma “ponte” entre parar de oferecer ração e introduzir uma dieta natural (crua). A ração é um alimento prático que já vem pronto. A Alimentação Natural é um desafio maior, já que requer planejamento, preparo, congelamento, e, principalmente, exige que o dono do animal supere certos receios, como o medo da ingestão de ossos e de carnes cruas, que felizmente são pouco relevantes - conforme explicamos nesse e nesse artigos.
Aprender a preparar a comida do pet e ao mesmo tempo vencer o medo de ossos e de carnes cruas pode ser muita coisa para processar de uma só vez. Para suavizar esse processo, proprietários muito preocupados podem começar oferecendo uma dieta caseira cozida por um tempo. Quando você estiver craque no preparo das refeições e mais tranqüilo em relação aos “riscos” das carnes cruas e dos ossos, pode começar a introduzir gradualmente a Alimentação Natural.
E se mesmo assim você preferir continuar oferecendo ao seu gato a dieta cozida, não haverá problema algum!

A dieta cozida pode servir como uma transição para a dieta crua
3-) Quais são as desvantagens de oferecer uma dieta caseira cozida para gatos?
Ao nosso ver, seriam as seguintes:
- O trabalho e o tempo exigidos para cozinhar as refeições;
- A perda e/ou alteração de certos micronutrientes e macronutrientes devida ao cozimento;
- Um pequeno decréscimo na digestibilidade das carnes;
- A necessidade de repôr a taurina perdida pelo cozimento;
- A necessidade de suplementar com cálcio;
- Por ser mais mole que a dieta crua e por não conter ossos, a dieta cozida não auxilia na limpeza dos dentes dos pets.
O cozimento é a principal desvantagem desse tipo de dieta. Usar o fogão para preparar a comida do pet pode dar um pouco de trabalho e consumir um certo tempo, ainda que isso não impeça proprietários de pets no mundo inteiro de cozinharem com prazer para seus melhores amigos. Não obstante, o cozimento leva à perda parcial ou total de alguns micronutrientes valiosos, como enzimas e antioxidantes, tornando os alimentos menos nutritivos.
No caso das carnes, a diminuição ou ausência de enzimas reduz um pouco a digestibilidade desse alimento, já que as enzimas presentes nas fibras musculares da carne auxiliam na digestão da peça. Além disso, muitos dos elementos presentes nos alimentos são pouco conhecidos por nós - ou nem foram descobertos ainda. Cozinhar certos alimentos pode destruir ou alterar essas substâncias misteriosas e possivelmente benéficas.
Os gatos possuem altos requerimentos do aminoácido taurina. Gatos alimentados com carnes cruas dispensam suplementação de taurina, uma vez que são fonte desse aminoácido. O cozimento, em contrapartida, destrói a taurina. Consequentemente, os gatos alimentados com dietas cozidas requerem suplementação diária desse aminoácido.
O cálcio também precisa ser suplementado. Na Alimentação Natural, os meaty bones (osssos contendo carne, como o pescoço de frango) suprem a necessidade de cálcio dos gatos. A maioria dos ossos não podem ser oferecidos cozidos, já que se tornam perigosos - a única exceção a essa regra é o pescoço de frango. O jeito é suplementar com cálcio ou oferecer alimentos ricos nesse mineral, como sardinhas inteiras, queijo branco e iogurte.
Por fim, uma dieta mais mole e sem alimentos que raspem os dentes, pode levar ao acúmulo de cálculo dentário (”tártaro”). Para evitá-lo, escove periodicamente os dentes de seu gato ou ofereça petiscos duros. Aqui no site você encontra algumas receitas.
4-) Qual maneira de cozinhar melhor preserva os nutrientes dos alimentos?
Cozinhar legumes, carnes e peixes no vapor, por cerca de 15 minutos, preserva melhor os nutrientes. Na falta de uma panela de cozimento a vapor, use uma panela pequena, contendo pouca água. Desta forma os nutrientes se dispersam menos. Depois, você pode usar essa água para cozinhar outros alimentos (para você mesmo) ou esperar esfriar e oferecer um pouco para seu gato beber, como se fosse um caldo.
A chave para menos perda dos nutrientes também está no tempo de cozimento e no corte dos alimentos. Legumes e carnes cortadas cozinham mais depressa, mas perdem micronutrientes em função da maior área de contato com a água ou com o ar. Um cozimento longo também acarreta perdas. Quinze minutos parece ser tempo suficiente para cozinhar carnes, peixes e legumes para os pets. Por fim, se possível evite ao máximo utilizar o microondas para descongelar e cozinhar os alimentos. Ele destrói boa parte dos nutrientes, mesmo quando usado por instantes. Leia mais sobre isso nesse nosso artigo.
5-) Por que as dietas caseiras cozidas não contêm meaty bones?
Conforme comentamos na questão número 3, dietas cozidas não contêm meaty bones (ossos contendo carne), porque o cozimento altera a estrutura molecular dos ossos, tornando-os mais rígidos e perigosos, o que favorece obstruções e perfurações gastro-intestinais. Existem, todavia, pessoas que há décadas oferecem pescoços de frango cozidos aos seus gatos, e afirmam não haver problemas.
É possível que o pescoço de frango seja o o único meaty bone que pode ser oferecido cozido. Por conter ossos circulares, pequenos e moles, essa peça, mesmo sendo cozida, parece não implicar em riscos para a saúde dos gatos.
6-) O que preciso saber/fazer antes de começar?
Em primeiro lugar, você deve saber que:
- As sugestões de dieta cozida publicadas nesse site somente são adequadas para gatos saudáveis (gatos que sofrem de afecções como insuficiência renal, hepática, e outras, devem receber uma dieta apropriada para sua condição, formulada e acompanhada por um médico-veterinário).
- Conhecer bem as dietas caseiras é importante para o sucesso dessa iniciativa. Não comece a oferecer a dieta sem ter lido todos os textos publicados aqui no site a respeito e esclarecido antes todas as suas dúvidas.
- O veterinário deve ser consultado antes de qualquer medida ser posta em prática. É importante contar com apoio profissional para avaliar a saúde do animal antes de começar, para solucionar dúvidas, para acompanhar periodicamente o pet e para reavaliar a dieta, se for o caso.
7-) Posso oferecer tanto a cães como a gatos a mesma receita de dieta caseira cozida?
Cães e gatos têm particularidades nutricionais distintas e devem ser alimentados com dietas adequadas a cada espécie. Aqui no site você encontra sugestões de cardápios e receitas tanto para cães quanto para gatos, sejam eles adultos ou filhotes. Cães saudáveis até podem ser alimentados com nossas sugestões de dietas caseiras cozidas para gatos, é só omitir o suplemento de taurina (aminoácido necessário para o gato e desnecessário para o cão) da dieta do cão. O contrário é que não é o ideal: gatos são mais carnívoros que os cães e requerem uma dieta mais protéica.
8-) Como posso saber quanto tenho de dar de comida para meu gato?
Gatos adultos devem receber entre 3,5 e 5% de seu peso corpóreo em alimentos por dia, divididos em 2-4 refeições. E os filhotes, de 7% até 15% de seu peso corpóreo por dia. No caso dos filhotes de gato você pode permitir que ele se alimente à vontade durante cada uma das três ou quatro refeições diárias. É um jeito de descobrir quanto de comida é o bastante.
De maneira geral, a melhor maneira de determinar a quantidade de comida a oferecer é estabelecendo uma porcentagem média para aquele animal e ir, a partir daí, observando. Por exemplo: se seu gato adulto pesa 4 quilos e está no peso ideal (nem gordo, nem magro), comece oferecendo 4% do peso corpóreo dele em alimentos diariamente. Observe-o por uma uma a duas semanas. Perdeu peso? Ofereça uma porcentagem maior (ex: 4,5%). Ganhou peso? Reduza a porcentagem (ex: 3,5%).
9-) As sugestões de cardápios e de receitas de dietas caseiras cozidas publicadas no site são indicadas para qualquer gato?
Não, gatos que não estejam saudáveis não devem receber essa dieta. Nossas sugestões de dietas podem ser extremamente benéficas para a saúde dos gatos, podendo inclusive ajudar o organismo a combater doenças. Mas não são específicas para o tratamento de enfermidades e sim para a manutenção do estado de saúde. Se seu gato está doente, ele precisa receber uma dieta caseira adequada para esse quadro.
Oferecer nossos cardápios de dieta cozida para animais doentes pode acarretar em piora do quadro clínico.
Antes de começar a oferecer a dieta cozida para seu animal, certifique-se de que ele está saudável consultando o médico-veterinário de sua confiança. Consulte o veterinário mesmo que seu pet aparente estar bem. Ele pode estar com alguma enfermidade insipiente, ou seja, ainda no começo, quando ainda não há manifestação de sintomas.
10-) Posso adotar uma dieta caseira metade cozida e metade crua?
Pode. Só é preciso avaliar qual seria a metade crua e qual seria a metade cozida. Alguns alimentos só devem ser oferecidos cozidos aos gatos, como é o caso de grãos como o arroz, leguminosas como a quinua, o feijão, a lentilha; e certos tubérculos, como as batatas e mandioquinha. Portanto, a parte da dieta que mais valeria a pena oferecer crua seriam as carnes e vísceras. Conforme mencionamos antes, essas peças são mais facilmente digeridas pelos carnívoros no seu estado natural, além de assim conservarem nutrientes valiosos.
Peixes e ovos até podem ser oferecidos crus, desde que se evite ofertá-los crus com freqüência. Explicamos: ovos contêm avidina, uma proteína que anula boa parte de uma vitamina do complexo B. Já os peixes apresentam tiaminase, uma enzima que degrada a vitamina B1 (tiamina). Em contrapartida, peixes e ovos crus apresentam uma infinidade de micronutrientes preciosos, perdidos em maior ou em menor grau pelo cozimento. Se optar por oferecer esses alimentos no seu estado natural, faça-o ocasionalmente, intercalando com a oferta de ovos e peixes cozidos. Dessa forma é mais difícil ocorrer deficiências ou excessos nutricionais.
11-) Como é a formulação básica da dieta caseira cozida?
Depende. Existem inúmeros tipos de dietas caseiras cozidas, com inúmeras formulações. O Cachorro Verde sugere um modelo que segue, de modo geral, essas diretrizes:
Para gatos:
50 -65% carnes desossadas (frango/carne bovina/suína/ovos/peixe, etc)
15- 20% vísceras e/ou ovos (rim bovino/ fígado de frango ou de boi/ coração bovino ou de frango)
10 - 20% grãos / leguminosas / tubérculos cozidos (inteiramente opcional)
10 - 15% vegetais folhosos / verduras / legumes liquidificados e misturados à carne
+ suplementos: taurina, cálcio, iogurte integral, levedura de cerveja e óleo de peixe.
Os gatos são carnívoros obrigatórios, e na Natureza, subsistem graças ao consumo exclusivo das carcaças de suas presas. São pouco adaptados ao consumo de grãos e não possuem requerimentos de carboidrato em suas dietas - daí a observação sobre a oferta de grãos ser opcional.
Nossas sugestões de dieta cozida para pets apresentam uma formulação que, além de respeitar a fisiologia e as preferências naturais do gato, mantêm a massa magra (musculatura) graças ao alto teor de proteínas de qualidade, e combate a obesidade, graças ao bom teor de fibras e menor teor de carboidratos.

Gato adoram peixe, mas devem receber uma dieta variada.
12-) Posso dar metade dieta caseira cozida e metade ração?
Acrescentar alimentos cozidos à ração do seu gato pode sim ser benéfico, mas também pode causar desequilíbrios nutricionais. Ao acrescentar grande quantidade de carne à ração do seu animal, você pode interferir no equilíbrio ideal entre os minerais cálcio e fósforo, já que as carnes são ricas em fósforo.
Misturar apenas alguns alimentos cozidos à alimentação atual do seu pet fará com que ele não receba todos os benefícios da ração ou da dieta cozida. Se quiser muito fazê-lo, procure oferecer uma refeição composta apenas pela ração, e a outra refeição composta apenas por dieta cozida, seguindo a formulação que sugerimos ou uma sugerida por seu veterinário.
O ideal mesmo é que você tire um tempinho para ler as instruções e informações que nosso site oferece, e, uma vez que esteja se sentindo confiante, se organize para colocar uma dieta caseira cozida em prática na íntegra. E é claro: sempre contando com o acompanhamento do médico-veterinário do seu animal.
13-) A dieta caseira cozida é completa e balanceada?
A dieta caseira cozida sugerida pelo Cachorro Verde pode ser considerada balanceada, uma vez que conta com proporções equilibradas de proteína, carboidrato e lipídios (no caso da dieta para cães), além de micronutrientes como vitaminas, minerais e probióticos. “Completa” é outra história. “Completa” é um termo melhor usado para descrever as rações. Por serem completas, podem sem oferecidas como o único alimento, dia após dia, sem risco de excessos e/ou de falta de nutrientes.
Dietas caseiras - sejam elas cruas, cozidas, vegetarianas - podem e devem ser variadas o máximo possível. Deste modo podemos nos assegurar de que seu pet receberá macro e micronutrientes de fontes diversas. Se hoje você ofereceu ovos, amanhã você oferecerá peixe, e depois, carne bovina. E assim vai. Funciona como a dieta humana: por meio da variação de alimentos, fornecemos de forma contínua elementos que faltaram na última refeição e vice-versa.
Portanto, se estiver oferecendo uma dieta caseira cozida rica, com ingredientes de boa qualidade, não se preocupe se ela é ou deixa de ser “completa”. Esse termo não interessa às dietas caseiras variadas.
14-) Quais suplementos entram no modelo de dieta caseira cozida sugerido pelo site?
Os mesmos suplementos sugeridos para a Alimentação Natural (crua): o iogurte natural integral, a levedura de cerveja, o alho cru, e o óleo vegetal (azeite de oliva, óleo de girassol, óleo de coco, óleo de linhaça) ou óleo de peixe, mais um suplemento de cálcio e de taurina.
O iogurte é fonte de probióticos (as boas batérias intestinais), e de minerais como cálcio e magnésio. O alho cru poencializa a imunidade e ajuda a evitar pulgas, carrapatos e vermes intestinais. A levedura de cerveja é um ótimo palatabilizante natural, além de excelente fonte de vitaminas do complexo B. O óleo vegetal ou de origem animal e uma fonte bem-vinda de ácidos graxos e de vitaminas.
Obs: apesar de muitos autores defenderem a oferta de uma lâminazinha de alho cru para gatos, não aconselhamos que o alho seja oferecido aos gatos, que são mais sensíveis à intoxicação caso ingiram uma quantidade excessiva.
15-) Posso introduzir a dieta cozida de uma vez? Ou seria melhor fazer uma transição gradual?
Muitas pessoas trocam a ração por dieta cozida de uma hora para a outra, abruptamente, e seus gatos aceitam-na bem e não apresentam problemas. Mas começar de forma brusca não é recomendável. O organismo do pet está acostumado à dieta que ele sempre recebeu e pode estranhar o novo cardápio. Como consequência, o animal pode apresentar diarréia, constipação, vômitos e mal-estar.
Para aumentar as chances de que tudo corra bem, institua uma adaptação gradual. Adote uma versão básica da dieta cozida e vá misturando-a, cada vez em maior quantidade, à ração do pet.
16-) A dieta cozida precisa ser suplementada com cálcio? Mas que tipo de cálcio? E quanto?
Existem vários produtos no mercado que você pode utilizar: carbonato de cálcio, lactato de cálcio, gluconato de cálcio, dolomita; além do pó de casca de ovo - que você pode fazer em casa, sem gastar nada - e de alimentos ricos em cálcio, como os laticínios. Vamos examinar essas opções.
Alguns autores de livros sobre dietas caseiras para pets comentam que o cálcio sintético (carbonato, gluconato ou lactato de cálcio) podem ser oferecidos, mas não são a melhor opção. É mais fácil ocorrerem desbalanços quando oferecemos nutrientes sintéticos, além do cálcio sintético estar associado a cálculos urinários. Há pouco tempo tivemos um cão que apresentou um quadro de alergia de pele quando recebeu cálcio sintético. E o nosso gato Persa, quando comia carne suplementada com cálcio sintético, ocasionalmente vomitava. Aparentemente, esse tipo de cálcio irritava o estômago dele. Além disso, o veterinário Shawn Messonier, autor do livro “Natural Health Bible for Dogs and Cats” comenta que o carbonato de cálcio pode causar constipação.
Infelizmente, as melhores opções de suplementação de cálcio não parecem estar à venda no Brasil. Segundo Richard Pitcairn, autor do livro “Dr. Pitcairn’s Complete Guide To Natural Health for Dogs and Cats”, os melhores produtos seriam: Bone Meal (farinha de ossos) da marca Kal, suplemento de cálcio da Solid Gold, NaturVet Bone Meal Powder e Solgar Bone-All.
Pesquisando no Google, encontramos “farinha de ossos”, que segundo o Dr. Pitcairn, seria melhor do que o cálcio sintético. Mas nos parece que ela é um pouco difícil de obter. Rotineiramente, é comercializada para grandes produtores agropecuários e para ser usada como fertilizante.
Infelizmente pouco sabemos sobre o uso de dolomita como suplemento de cálcio para pets, o que não impede que você converse com o médico-veterinário do seu pet a fim de descobrir se ele sabe de algo a respeito.
O pó de casca de ovo é uma opção interessante porque é natural e você pode produzir em casa, sem gastar nada. Basta pegar uma porção de cascas de ovos, desidratá-las por 5 minutinhos no forno elétrico ou forno convencional, e em seguida, moê-las ou pulverizá-las no moedor de café, moedor de pimenta ou liquidificador, até obter um pó bem fininho. Quanto mais fininho, melhor. Existe uma regrinha para o uso desse pó. Para cada 250 gramas de carne sem ossos a ser oferecida, acrescente meia colher de chá do pó de casca de ovo.
O pó de casca de ovo deve ser guardado em um recipiente fechado, e protegido do calor e da luz intensa. Dura muitos meses.
A regrinha acima só serve para o pó de casca de ovo. A quantidade a ser oferecida muda de acordo com a fonte de cálcio. Caso opte por outro tipo de cálcio que não o pó de casca de ovo, verifique no rótulo do produto a quantidade de cálcio oferecida por cápsulas ou gramas - o teor de cálcio varia muito de produto para produto.
Vale lembrar que cálcio em excesso faz mais mal do que bem. O organismo tem mecanismos para equilibrar o cálcio quando o animal recebe um pouquinho menos do que deveria. O excesso de cálcio já não é tão bem tolerado. Em filhotes, alterações ósseas por falta de cálcio costumam ser reversíveis; o mesmo não acontece quando o gatinho ingere cálcio em excesso.
Por esse motivo, é sempre interessante substituir total ou mesmo parcialmente o cálcio sintético por alimentos ricos em cálcio. Vejamos os principais:
* Laticínios
Um copo de leite oferece cerca de 300mg de cálcio, mas ele só deve ser oferecido aos pets diluído em água (1:1), a fim de evitar diarréias. Prefira o queijo minas e o iogurte natural, que não soltam os intestinos. Uma fatia de 50 gramas de queijo minas fornece 342 miligramas de cálcio, em média. Um potinho de iogurte natural integral, apresenta em média, 255 miligramas de cálcio.
* Peixes
Outras boas fontes de cálcio incluem sardinhas (195mg de cálcio em 100g), traíras (645mg de cálcio em 100g) e manjubas (275mg de cálcio em 100g), preferencialmente cozidas inteiras.
* Pescoço de frango
Pescoços de frango também são uma boa opção. Voltamos a enfatizar que o pescoço de frango é o ÚNICO meaty bone (osso contendo carne) que pode ser oferecido cozido para os pets. Nunca ofereça asas, carcaça de frango ou outros meaty bones cozidos. A única exceção a essa regra é o pescoço de frango, porque seus ossos molinhos e circulares, mesmo cozidos, não provocam perfurações ou obstruções gastrointestinais.
Observação: não se recomenda suplementar o cálcio na dieta de gatos usando vegetais. Embora alguns tenham bons teores de cálcio, caso da couve, do espinafre, da salsa e do agrião, o cálcio fornecido por vegetais não é bem aproveitado pelos pets. E além disso, os vegetais citados são ricos em ácido oxálico, uma substância que originar cristais e cálculos de oxalato de cálcio nos pets.
Para preservar ao máximo o cálcio, tome alguns cuidados na hora de cozinhar as peças. Estudos revelaram que o cozimento a vapor leva à perda de 10% do cálcio, enquanto que a cocção em fogo brando e em ebulição, levam, respectivamente, à perda de 20% e 30% do cálcio, por dissolução. Se cozinhar em panela comum, use pouca água, assim os minerais dispersam menos. O tempo de cocção também atua sobre a perda dos minerais. Procure não ultrapassar 15 minutos de cozimento dos peixes, ovos e pescoço de frango. Para potencializar a absorção do cálcio, pingue sobre a fonte de cálcio (principalmente sobre as sintéticas e sobre o pó de casca de ovo) algumas gotinhas de limão ou de laranja. Esse mineral é melhor absorvido na presença de um meio ácido.
Em síntese, oferecer alimentos ricos em cálcio é infinitamente mais seguro do que oferecer cálcio sintético. Isso porque o cálcio presente nos alimentos está em um contexto ideal, junto com outros minerais e uma infinidade de elementos, o que naturalmente potencializa sua absorção e utilização pelo organismo. E o que é melhor: quando ofertado na forma natural, o cálcio é utilizado ou desprezado pelo corpo com muito mais facilidade. Leia mais sobre a diferença entre micronutrientes naturais e sintéticos nesse nosso artigo.
17-) Como devo preparar os grãos e as leguminosas?
Consulte esse nosso artigo sobre opções de grãos e leguminosas que podem ser oferecidos a cães e a gatos. Conforme você lerá no artigo recomendado, esses alimentos são nutritivos e fornecem bastante energia. Tanto que pets pouco ativos devem receber grãos e leguminosas em quantidade mais restrita para que não ganhem peso.
Por serem pouco familiares ao organismo dos cães e gatos - carnívoros na Natureza - grãos e leguminosas precisam ser oferecidos muito bem cozidos a fim de serem bem digeridos e aproveitados. Além disso, grãos e leguminosas contêm elementos anti-nutricionais que podem impedir a absorção de alguns nutrientes importantes. Para evitar essa parte negativa e potencializar os benefícios da ingestão desses alimentos, atente para as dicas do texto abaixo, retirado do site Crianças na Cozinha - referência nacional em culinária saudável:
“Por que deixar grãos e sementes de molho antes de consumi-los?
escrito por Pat Feldman
Afinal, qual é a vantagem de se deixar grãos e sementes de molho previamente? Deixar os grão de molho não diminui seu valor nutritivo? Deixar grãos e sementes de molho não altera o seu sabor?
São estas e muitas outras dúvidas que surgem, e que eu espero sinceramente conseguir responder no texto a seguir.
A bem intencionada recomendação atual para se consumir grãos integrais como faziam nossos ancestrais e farinhas de grão integrais é, em parte, enganosa, e pode trazer sérias conseqüências para a nossa saúde. Sim, nossos ancestrais consumiam grãos integrias, mas nem de longe da forma como consumimos atualmente. Nossos ancestrais, sabiamente, deixavam de molho ou fermentavam seus grãos antes de onsumi-los ou prepará-los na forma de mingaus, pães, bolos, etc.
Um rápido passeio pela culinária tradicional do mundo nos prova esta verdade: na Índia, o arroz e a lentilha são fermentados por pelo menos 2 dias antes de serem preparados como idli e dosas; na África os nativos deixam a farinha de milho grossa deixada de molho durante a noite para depois adicioná-la em sopas e caldos, e eles fermentam milho ou amaranto por vários dias para então produzir um mingau azedo, conhecido por ogi; em outras culturas o mesmo prato era preparado com aveias deixadas de molho; em alguns países orientais e latino-americanos o arroz passa por uma longa fermentação antes do seu preparo; a Etiópia tem seu tradicional pão injera, preparado com o grão “teff”, que é fermentado por muitos dias; bolos de milho mexicanos, conhecidos como pozol, são fermentados em folhas de bananeira; antes da introdução dos fermentos comerciais, os europeus assavam pães pesados, massudos, feitos a partir de fermentação natural; os pioneiros norte-americanos eram famosos por seus pães de massa azeda, panquecas e biscoitos. Talvez alguns senhores e senhoras de mais idade ainda se lembrem da recomendação de deixar de molho, que vinha escrita nos pacotes de aveia para mingau de antigamente…
Eu não sei bem de onde vinha esse conhecimento ancestral de deixar grãos de molho ou fermentando antes de consumi-los, mas é importante citar que estas práticas se adequam muito bem ao que a ciência moderna sabe sobre os grãos.
Todos os grãos contém ácido fítico (um ácido orgânico no qual o fósforo é ligado) em sua camada mais externa. O ácido fítico pode-se ligar ao cálcio, magnésio, cobre, ferro e especialmente ao zinco no trato intestinal e bloquear a sua absorção. É por isso que uma dieta rica em grãos integrais não fermentados pode levar a sérias deficiências de minerais e perdas ósseas. A moderna, mas incorreta recomendação para o consumo de grandes quantidades de grãos integrais normalmente melhora o trânsito intestinal num primeiro momento, mas pode levar a problemas como a síndrome do intestino irritado, entre outros desagradáveis efeitos colaterais a médio e longo prazo.
Deixar de molho permite que enzimas, lactobacillus e outras substâncias quebrem e neutralizem o ácido fítico. Um mínimo de 7 horas de molho em água morna e meio ácido (conseguido com soro de iogurte ou gotinhas de limão) é capaz de neutralizar uma grande parcela do ácido fítico contido nos grãos. A simples prática de deixar grãos de molho por um período antes de consumi-los irá aumentar enormemente seus benefícios nutricionais.
Deixar de olho em água morna também irá neutralizar inibidores enzimáticos, presentes em todas as sementes, e predispõe à produção de numerosas enzimas benéficas. A ação dessas enzimas também aumenta as quantidades de vitaminas disponíveis, especialmente as vitaminas do complexo B.
Os pesquisadores também aprenderam que certas proteínas dos grãos, especialmente o glutem, são bastante difíceis de digerir. Uma dieta rica em grãos integrais não fermentados, em particular os grãos com alto teor de glútem como o trigo, sobrecarrega enormemente todo o mecanismo digestivo. Quando este mecanismo digestivo “desgasta” por causa da idade avançada ou por excesso de uso, os resultados são observados na forma de alergias, doença celíaca, doenças mentais, indigestão crônica e crescimento descontrolado de cândidas (bactérias). Pesquisas recentes ligam a intolerância ao glútem com esclerose múltipla. Durante o processo de molho ou fermentação, o glútem e outras proteínas de difícil digestão são parcialmente quebradas em componentes mais simples que são mais facilmente digeridos pelo nosso organismo.
Animais que se alimentam basicamente de grãos e outras plantas são animais que possuem pelo menos 4 estômagos! Seus intestinos são mais longos, assim como o processo digestivo como um todo. O ser humano, por outro lado, tem apenas um estômago e um trato digestivo bem menor que o de animais herbívoros. O trato digestivo menor, também permite que produtos animais sejam digeridos rápido o suficiente para não apodrecerem no intestino, mas dificulta a digestão de grãos - a menos é claro, que se peça ajuda às “bactérias boazinhas”. Elas agem no processo de molho ou fermentação a que todos os grão deveriam ser submetidos antes do consumo.
Os grãos são normalmente divididos eu duas categorias. Aqueles que contém glúten, como aveia, cevada e especialmente o trigo não devem ser consumidos a não ser que sejam previamente fermentados ou deixados de molho. Trigo sarraceno, arroz e amaranto, por sua vez, não contém glúten e são mais fáceis de digerir. O arroz integral e o amaranto contém menores doses de fitatos em comparação com outros grãos, então se for para consumir algum grão sem deixar de previamente de molho, que este grão seja o arroz integral ou o amaranto. Mas mesmo assim é necessário cozinhá-los lentamente, em fogo baixo, e sempre utilizando um caldo caseiro à base de carnes e ossos (o mocotó, tutano dos ossos, facilita a digestão desses grãos). Este cozimento lento na presença do mocotó neutraliza alguns dos poucos fitatos e proporciona uma boa dose de minerais ao prato. A panela de pressão jamais deveria ser utilizada. O cozimento em panela de pressão é excessivamente rápido, prejudicando a digestão.
A quinoa, original da América do Sul é tida desde estudos antigos, como um bom estimulante da produção de leite materno. Tecnicamente a quinoa não é um grão, mas sim um fruto da famíia Chenopodium, e contém excelentes propriedades nutricionais. Qualquer produto à base de quinoa deve ser sempre deixado de molho previamente. Os antinutrientes presentes na quinoa são neutralizados desta forma.”
18-) A dieta cozida sugerida para gatos, composta por 60% de carnes e 20% de vísceras não fará mal aos rins do meu cão ou gato em longo prazo?
Não. É preciso entender que 80% de carnes e vísceras não é o mesmo que 80% de proteína bruta. Carnes são compostas em grande parte por…água! E ainda tem os lipídeos. Descontando tudo não dá tanta proteína assim.
Uma dieta protéica não sobrecarrega os rins sadios, ao contrário do que muitos acreditam. Diversos artigos científicos têm procurado derrubar esse mito de que uma dieta protéica piora as condições dos rins sadios, como esse, esse, esse e esse (todos em inglês). Não deixe de ler também essa matéria (em inglês).
E não se esqueça que seu gato é um carnívoro restrito - na Natureza, ele não comeria nada além de carcaças de outros animais. Gatos são fisiologicamente e metabolicamenrte adaptados a consumir um alto teor de proteína na forma de carcaças, carnes e vísceras em suas dietas, e se beneficiam disso.
Leu tudo? Clique nos retângulos situados no canto superior direito dessa página para ter acesso às nossas sugestões de dieta caseira cozida para gatos!

“Pode encher!”
Referências bibliográficas
Livros
* Canine Nutrition - What Every Owner, Breeder and Trainer Should Know. D.V.M. Lowell Ackerman. 1999
* Dr. Pitcairn’s Complete Guide of Natural Health for Dogs & Cats. D.V.M., PhD, Richard Pitcairn. 2005
* Natural Health Bible for Dogs and Cats. D.V.M. Shawn Messonnier - 2001
* The Nature of Animal Healing. D.V.M. Martin Goldstein - 1999
* Food Pets Die For. Ann Martin - 2008
Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!