Displasia Coxofemoral

Raças frequentemente acometidas pela displasia coxofemoral: Bulldog, Pastor Alemão, Rottweiler e Retriever do Labrador

 

Se voc√™ tem um c√£o de porte grande ou gigante j√° deve estar careca de ouvir falar da displasia coxofemoral, doen√ßa caracterizada pela incongru√™ncia e degenera√ß√£o da articula√ß√£o da bacia com a cabe√ßa do f√™mur. Bastante freq√ľente, essa displasia tamb√©m acomete c√£es de ra√ßas m√©dias e pequenas – e at√© os gatos.

As justificativas mais citadas para o aumento dos casos da doença estão relacionadas a:

* Acasalamento de animais que apresentam displasia (graus D e E, principalmente). Por esse motivo recomenda-se fortemente afastar da reprodução os exemplares displásicos;

* O alto grau de consang√ľinidade ou inbreeding (acasalamento entre animais de parentesco pr√≥ximo). Essa pr√°tica adotada por muitos criadores com o intuito de fixar caracter√≠sticas f√≠sicas desej√°veis nos filhotes pode acentuar tamb√©m predisposi√ß√Ķes para doen√ßas heredit√°rias.

Esses seriam os principais fatores que determinam a predisposição ou tendência genética para o aparecimento da displasia. Mas é preciso esclarecer que a predisposição genética por si só não resulta necessariamente no aparecimento da doença. Atualmente acredita-se que outros desencadeadores da displasia podem ser fatores ambientais e de manejo, principalmente durante a fase de crescimento do animal.

Essa pode ser uma explicação por trás de um casal de cães saudáveis que produz filhotes com displasia. Ou ainda, da ocorrência de alguns irmãos de ninhada se tornarem severamente displásicos enquanto outros estão isentos da doença.

Articulação coxofemoral normal em um cão. Fonte: www.gocco.co.za

Articulação coxofemoral displásica. Fonte: www.gocco.co.za

A displasia não tem cura e é convencionalmente tratada com administração de antiinflamatórios e protetores articulares, e em determinados casos, cirurgia. Mas você pode fazer muito mais no sentido de prevenir e controlar essa doença. Confira neste guia alguns cuidados que podem:

* Retardar o aparecimento da displasia coxofemoral nos animais predispostos;
* Aumentar a qualidade de vida do animal acometido;

* Prevenir o desenvolvimento da displasia nos filhotes e animais jovens.

O que é a displasia coxofemoral?

Nos c√£es e gatos que n√£o apresentam displasia coxofemoral, a cabe√ßa do f√™mur √© bem formada e se encaixa perfeitamente no (tamb√©m bem formado) acet√°bulo, que √© uma cavidade do osso coxal ou ‚Äúbacia‚ÄĚ. Com esse encaixe adequado, o animal anda, corre, salta e vive normalmente. No pet com displasia a cabe√ßa do f√™mur e/ou o acet√°bulo apresentam deformidades, o que compromete a articula√ß√£o e, conseq√ľentemente, a mobilidade dos membros traseiros.

Na verdade, a articula√ß√£o coxofemoral do pet displ√°sico n√£o nasceu degenerada. Ela tem apar√™ncia normal√≠ssima durante a inf√Ęncia do animal. Tanto √© que n√£o se recomenda radiografar filhotes em crescimento ‚Äď a displasia simplesmente n√£o estar√° presente. Sintomas e sinais radiogr√°ficos da degenera√ß√£o coxofemoral n√£o costumam aparecer antes dos quatro meses ‚Äď e pode demorar at√© os doze meses de idade do pet (ou mais) para se manifestarem.

Classifica-se a displasia de acordo com o grau de comprometimento da articula√ß√£o. Nos casos graves, a incongru√™ncia (desencaixe) √© t√£o severa que pode ocorrer uma luxa√ß√£o, que √© quando a cabe√ßa do f√™mur sai completamente do acet√°bulo (a cavidade na bacia). Em outros casos a displasia est√° l√°, mas os sintomas est√£o ausentes ou s√£o discretos a ponto do propriet√°rio nem suspeitar que o animal tem a doen√ßa. Nesse caso, acredita-se que m√ļsculos e ligamentos fortes estejam conseguindo manter a articula√ß√£o no lugar.

Dependendo do grau de incongru√™ncia articular, ocorre a prolifera√ß√£o dos tecidos locais com presen√ßa de fragmentos √≥sseos dentro e fora da articula√ß√£o. Isso leva a um processo inflamat√≥rio bastante doloroso. S√£o sinais cl√≠nicos cl√°ssicos da displasia coxofemoral: mancar das pernas traseiras, expressar dor ou desconforto ao caminhar, relutar em subir degraus e em se levantar. Se n√£o tratada, a displasia pode levar √† perda gradual da mobilidade traseira. Como nem todo animal displ√°sico apresenta sintomas, a √ļnica maneira de saber se ele tem a doen√ßa √© por meio de exames radiogr√°ficos. Para saber mais, consulte seu m√©dico-veterin√°rio.

Radiografia de um c√£o com displasia coxofemoral bilateral. Fonte: http://blogs.dogster.com/vet_blog_information_advice/files/2008/08/800px-bilateral_hip_dysplasia.JPG

Outras causas associadas ao aparecimento da displasia coxofemoral
Algumas situa√ß√Ķes podem contribuir para a predisposi√ß√£o gen√©tica √† displasia se expressar, e podem tamb√©m complicar o quadro de um animal displ√°sico. Vejamos quais s√£o:

Falta de vitamina C
Veterinários favoráveis a dietas caseiras, como Richard Pitcairn, PhD., Martin Goldstein, Lowell Ackermann e Shawn Messonier recomendam a suplementação diária de vitamina C para filhotes com tendência a apresentar displasia, e também para os adultos já afetados.

Segundo o Richard Pitcairn, ‚Äúexistem evid√™ncias de que a displasia coxofemoral √© em parte causada por escorbuto sub-cl√≠nico (hipovitaminose C sem sintomas evidentes). Acredita-se que no c√£o displ√°sico essa articula√ß√£o se desenvolva de maneira incorreta como resultado de ligamentos e m√ļsculos fracos ao redor das articula√ß√Ķes. A vitamina C √© essencial para esses tecidos conjuntivos (m√ļsculos e ligamentos).‚ÄĚ

O médico-veterinário ortomolecular Wendell Belfield relatou no periódico Veterinary Medicine/ Small Animal Clinician que grandes quantidades de vitamina C preveniram completamente o aparecimento da displasia coxofemoral em oito ninhadas de Pastores Alemães geradas por pais que apresentavam a doença ou já haviam produzido filhotes displásicos. Ele adotou o seguinte programa:

* Fêmeas prenhes receberam de duas a três gramas de cristais de ascorbato de sódio (ou ácido ascórbico) na alimentação diária;

* Ao nascer os filhotes receberam 50 a 100mg de vitamina C por via oral diariamente (usando a forma líquida);

* A partir das três semanas de idade, a dose foi aumentada para 500mg diárias (colocadas na comida), até os quatro meses de idade dos filhotes;

* A partir dos quatro meses de idade, a dose foi aumentada para um a dois gramas por dia e foi mantida assim até os filhotes completarem 18 meses ou dois anos de vida.

Martin Goldstein, autor do livro The Nature of Animal Healing, relata os benef√≠cios dessa vitamina para o equil√≠brio √°cido-b√°sico do organismo. ‚ÄúOs exames de sangue de meus pacientes displ√°sicos geralmente mostram n√≠veis elevados de uma enzima chamada fosfatase alcalina ‚Äď indicadora da alcalinidade do sangue‚ÄĚ.

Sabe-se que a vitamina C √© um componente alimentar complicado de manter vi√°vel nos alimentos industrializados. Uma esp√©cie que freq√ľentemente morre em decorr√™ncia do escorbuto √© o porquinho-da-√ćndia. Esses roedores n√£o produzem vitamina C ‚Äď homens e primatas tamb√©m n√£o o fazem, sendo sabidamente necess√°ria a suplementa√ß√£o de suas dietas com vitamina C. O organismo dos c√£es produz vitamina C, mas a quantidade produzida pode n√£o ser suficiente para evitar degenera√ß√Ķes de car√°ter heredit√°rio. √Č por esse motivo que n√£o existe grande preocupa√ß√£o em acrescent√°-la √† dieta dos c√£es.

Obesidade / Dieta hipercalórica
O excesso de peso √© inimigo do bem-estar e da sa√ļde de qualquer animal (ou pessoa). Mas no caso de indiv√≠duos displ√°sicos, a obesidade √© ainda mais problem√°tica, j√° que mais press√£o √© colocada sobre as articula√ß√Ķes fragilizadas. O respeitado Tratado de Medicina Veterin√°ria (Ettinger) chega a recomendar a redu√ß√£o de peso como principal medida para pets com problemas oteoarticulares.

Uma forma de enxugar os quilinhos extras do c√£o ou gato de qualquer idade √© oferecer a ele uma dieta natural √† base de meaty bones crus, carnes cruas, legumes e alguns suplementos (o modelo cl√°ssico da alimenta√ß√£o natural crua), sem fontes extras de carboidratos. √Č uma op√ß√£o muito saborosa e de pre√ßo razo√°vel, al√©m de ser muito nutritiva e eficiente para perda e controle do peso.

Fato é que pets displásicos magros costumam ter um prognóstico muito melhor. Mantenha seu cão sempre esbelto, principalmente se ele for de porte médio, grande ou gigante, e vocês dois serão poupados de sofrimentos futuros relacionados à obesidade.

Obesidade na fase de crescimento √© ainda mais prejudicial e geralmente decorre de dietas com excesso de calorias. De acordo com o livro Tratado de Medicina Interna de Pequenos Animais, ‚Äú…dietas muito cal√≥ricas aceleram a taxa de crescimento dos filhotes e aumentam o risco de displasia coxofemoral.‚ÄĚ O livro tamb√©m faz uma ressalva a alimentar filhotes com dietas muito ricas em minerais.

Limitar o acesso aos alimentos √© outro modo de evitar ingest√£o cal√≥rica excessiva. Estudos mostram que deixar comida √† vontade ou alimentar o pet toda vez que ele pedir aumenta a incid√™ncia de doen√ßas osteoarticulares nos filhotes suscet√≠veis. Evite isso estabelecendo desde cedo hor√°rios para as refei√ß√Ķes.

Uma história retirada do ótimo site de Medicina Veterinária holística, B-Naturals, escrita por Lew Olson, PhD em Naturologia, ilustra como a dieta certa pode aumentar o bem-estar dos cães displásicos. (Adaptação e tradução: Sylvia Angélico)

“Meu Rottweiler, o Tommy, tinha displasia coxofemoral e de cotovelo que afetaram por cinco anos sua mobilidade. Ele caminhava com dificuldade e aparentava ser muito mais velho. Quando comecei a pesquisar os requerimentos nutricionais dos caninos, descobri que a dieta deles na natureza consistia de gordura e proteína animal, com pouco ou nenhum carboidrato.

Dietas muito cal√≥ricas, a√ßucaradas, ricas em gr√£os e amido, roubam a energia dos c√£es (pelo esfor√ßo que o trato digest√≥rio pouco adaptado a carboidratos precisa fazer para digerir esses alimentos) e podem aumentar a dor nas articula√ß√Ķes.

Passei a preparar um card√°pio com pouco carboidrato e maiores quantidades de gordura e prote√≠na animal. Dentro de poucas semanas, Tommy estava correndo novamente, brincando e interagindo com meus outros c√£es. Essa dieta n√£o interrompe a degenera√ß√£o articular, mas aumenta o conforto do animal e ajuda a reduzir a inflama√ß√£o.‚ÄĚ

O professor norte-americano de Jornalismo Michael Pollan, autor do imperd√≠vel livro O Dilema do On√≠voro, oferece pistas para esse fen√īmeno. Em seu √ļltimo livro, Em Defesa da Comida, ele comenta que o consumo de dietas industrializadas alterou o equil√≠brio ideal entre os √°cidos graxos essenciais √īmega-6 e √īmega-3.

Enquanto o √īmega-6 √© um elemento resistente, presente em uma variedade de alimentos (gr√£os, sementes, carnes), o √īmega-3 √© um √°cido graxo fr√°gil, presente em menos alimentos naturais e facilmente destru√≠do pelo processamento industrial. Como uma das fun√ß√Ķes do √īmega-6 √© justamente exacerbar os processos inflamat√≥rios, pode ser que o excesso deste √°cido graxo em detrimento do √īmega-3 esteja associado √† maior incid√™ncia de males relacionados √† inflama√ß√£o nos humanos e ‚Äď por que n√£o? ‚Äď nos animais. ‚ÄúO excesso de √īmega-6 pode ser t√£o problem√°tico quanto a defici√™ncia de √īmega-3‚ÄĚ, comenta o autor.

A obesidade √© extremamente prejudicial √† sa√ļde osteoarticular. Fonte: www.gettyimages.com

Outros fatores importantes

* Não suplemente a dieta do filhote com cálcio sintético. Essa orientação é especialmente importante para os filhotes de intenso crescimento, como os de raças grandes e gigantes. Estudos mostram que o cálcio sintético interfere na maturação e modelação dos ossos e das cartilagens durante a fase de crescimento. Também já foi documentado que o excesso de cálcio atrapalha a absorção de zinco e de magnésio pelos intestinos. Dietas naturais ou industrializadas dispensam completamente a necessidade de ofertar cálcio extra. Na verdade, o organismo lida muito melhor com leves deficiências de cálcio do que com excessos desse mineral. No caso da alimentação natural o cálcio é fornecido na forma de ossos crus (meaty bones).

* Vale lembrar que a exposi√ß√£o di√°ria ao sol tamb√©m contribui para evitar desequil√≠brios. Os raios solares t√™m radia√ß√£o ultravioleta, que em contato com os vasos sang√ľ√≠neos da pele, ativa a vitamina D advinda dos alimentos. Uma vez ativada, a vitamina D ajuda o organismo a reter o c√°lcio, absorvendo esse mineral no intestino. √Č por isso que banhos de sol regulares s√£o importantes para os ossos do filhote crescerem saud√°veis.

Filhote tomando banho de sol

Mas aquela cochilada na frente da janela ou porta de vidro fechada n√£o conta. O animal tem que ficar diretamente exposto aos raios solares. Sol ‚Äúfiltrado‚ÄĚ por superf√≠cies de vidro perde os raios ultravioletas e fica reduzido a uma fonte de calor. Essa orienta√ß√£o √© particularmente importante para filhotes que crescem em apartamento, principalmente os de porte grande.

* Animais que sofrem de artrose, artrite e outros males osteoarticulares em geral sentem mais dor e desconforto, especialmente durante os meses frios. Garanta que ele tenha um local macio e aquecido para se deitar.

* Filhotes e jovens apresentam articula√ß√Ķes e ossos vulner√°veis e n√£o devem ser estimulados a praticar atividades f√≠sicas intensas, como agility ou corrida. Brincar ainda √© o melhor exerc√≠cio para os animais em crescimento. C√£es adultos displ√°sicos podem se beneficiar com a pr√°tica regular de exerc√≠cios f√≠sicos de baixo impacto como nata√ß√£o e caminhadas leves.

* N√£o permita que os c√£es corram ou mesmo permane√ßam por muito tempo sobre pisos escorregadios. Principalmente em se tratando de pets de porte grande e gigante. A for√ßa exigida para o animal se equilibrar coloca press√£o demais sobre a frouxa articula√ß√£o coxofemoral. Se as unhas estiverem compridas e os p√™los entre os coxins (‚Äúalmofadas‚ÄĚ das patas) estiverem longos, pior ainda. Apare-os para aumentar a ader√™ncia das patas ao piso. Para deixar as unhas dos c√£es bem curtinhas, sem tirar sangue e sem causar dor ao animal, voc√™ pode utilizar um aparelho chamado Dremel. Existem modelos pr√≥prios para uso em pets, mas um Dremel convencional, encontrado em lojas comuns de ferramentas, tamb√©m lixa as unhas. Consulte esse site (em ingl√™s) para aprender a us√°-lo.

* A qualidade da √°gua tamb√©m pode contribuir com o aparecimento de doen√ßas articulares degenerativas. Um estudo revelou que os c√£es que bebem √°gua de po√ßo em vez de √°gua de encanamento s√£o mais predispostos a desenvolver a osteocondrite, um mal osteoarticular. Isso porque √°guas mais ‚Äúduras‚ÄĚ (com alta concentra√ß√£o de minerais) podem conter mais c√°lcio. A √°gua de sua regi√£o √© assim? Se poss√≠vel ofere√ßa ao pet somente √°gua destilada, ou purificada com filtro que elimina ou minimiza o problema.

* Est√° comprovado que alguns f√°rmacos podem prejudicar o desenvolvimento osteoarticular de filhotes e pets jovens. √Č o caso da Enrofloxacina (Baytril) um antibi√≥tico eficiente que √© muito empregado na rotina do m√©dico-veterin√°rio cl√≠nico geral. O site do laborat√≥rio Biovet, especifica o seguinte: ‚ÄúEnrofloxacina est√° contra-indicada para c√£es na fase de crescimento r√°pido (de 2 a 8 meses) devido a relatos de les√Ķes √† cartilagem articular. Nas ra√ßas gigantes, este per√≠odo poder√° estender-se at√© os 18 meses. N√£o √© recomendado o uso em gatos com menos de 8 semanas de idade.‚ÄĚ

Dieta
Diz o Dr. Richard Pitcairn que ‚Äúgera√ß√Ķes de m√°s pr√°ticas nutricionais contribu√≠ram com o desenvolvimento da displasia coxofemoral; com efeitos cumulativos cada vez maiores a cada gera√ß√£o. Uma boa preven√ß√£o inclui alimentar as cadelas prenhes ou o filhote rec√©m-adquirido com uma dieta saud√°vel, fresca e variada.‚ÄĚ (Dr. Pitcairn’s Complete Guide to Natural Health for Dogs & Cats)

Se poss√≠vel, passe a oferecer uma alimenta√ß√£o caseira natural para seu pet displ√°sico. Um n√ļmero cada vez maior de criadores e propriet√°rios relata os impactos positivos desse tipo de dieta na redu√ß√£o da incid√™ncia da displasia e na vida dos pets acometidos. Tamb√©m pudera: a dieta natural √© rica em √īmega-3 e antioxidantes advindos de vegetais variados, ovos, peixes e √≥leos; al√©m de oferecer diariamente protetores articulares naturais, como a condroitina presente na cartilagem de p√©s, pesco√ßos, asas e carca√ßas de frango crus.

O cardápio indicado para esse quadro é o modelo tradicional de Alimentação Natural para adultos e para filhotes. Procure omitir da dieta fontes de carboidratos como pães e grãos cozidos a fim de reduzir a quantidade de calorias da dieta e não favorecer o ganho de peso. Se seu pet estiver acima do peso, calcule a quantidade de alimentos a ser oferecida diariamente com base no peso que ele deveria ter, em vez de fazer o cálculo com base no sobrepeso atual. Clique aqui para aprender a calcular essa porcentagem. Isso, por si só, já deve ajudar seu cão a enxugar os quilinhos extras.

Ofere√ßa fontes de √īmega-3 como √≥leo de peixe (preferencialmente) ou peixes ricos em √īmega-3, como a sardinha e a cavalinha (inteiras e sempre cozidas).

Uma a duas vezes por semana ofere√ßa pe√ßas cartilaginosas contendo um pouco de carne. Esses alimentos s√£o fonte de subst√Ęncias que protegem as articula√ß√Ķes, como a condroitina. Boas op√ß√Ķes s√£o pesco√ßos e p√©s de galinha crus e a ‚Äúgarganta do boi‚ÄĚ, que na verdade √© a traqu√©ia (tubo cartilaginoso). √Č poss√≠vel encontrar a ‚Äúgarganta de boi‚ÄĚ em feiras-livres. Custa por volta de R$ 2,50 o quilo.

Ofere√ßo semanalmente para meus c√£es e gatos. Pe√ßo para o feirante retirar o excesso de gordura e de gl√Ęndulas e deixar s√≥ a traqu√©ia com a musculatura em volta. Ele j√° me entrega a pe√ßa cortada em rodelas, o que facilita muito a separa√ß√£o em tupperwares e o congelamento. Cartilagem √© um tecido pobre em c√°lcio. Por isso sempre sirvo a ‚Äúgarganta‚ÄĚ acompanhada de algum meaty bone com bastante c√°lcio, como p√© de frango cru, ou peda√ßos de queijo minas frescal, tamb√©m rico em c√°lcio.

Natação: um ótimo exercício para cães displásicos.

Vitamina C e bioflavonóides
A vitamina C, conforme discutimos anteriormente, faz parte da prevenção e até do controle da displasia coxofemoral. O cão pode ingerir essa vitamina de duas maneiras: comendo alimentos ricos em vitamina C e/ou por meio de suplementação com vitamina C sintética (ácido ascórbico). Sempre que possível, opte pela primeira opção.

As vitaminas presentes nos alimentos são infinitamente melhor aproveitadas pelo organismo, dificilmente ocasionam excessos e sua ação é potencializada pela presença de outros elementos químicos (enzimas, minerais, antioxidantes) presentes no alimento. Um bom exemplo desse sinergismo (combinação benéfica) entre micronutrientes é o da vitamina C com os bioflavonóides, também conhecidos como vitamina P.

Bioflavon√≥ides s√£o compostos vegetais polifen√≥licos similares √†s vitaminas. Est√£o presentes naquela pel√≠cula branca que fica sob a casca das frutas c√≠tricas e dos piment√Ķes e complementam a a√ß√£o da vitamina C tamb√©m presente nos mesmos alimentos. Reduzem a dor e a inflama√ß√£o, apresentam a√ß√£o anti-alerg√™nica e antioxidante, al√©m de inibirem a hialuronidase, uma enzima que danifica as articula√ß√Ķes e a pele.

Para saber mais sobre as vantagens de oferecer as vitaminas de forma natural, ou seja, diretamente através da ingestão do alimento, clique aqui. Ofereça regularmente alimentos ricos em vitamina C, preferencialmente crus, como:

Peda√ßo de “garganta de boi” comprado na feira, fonte natural de condroitina.

Frutas: acerola, caju, goiaba branca e vermelha, manga, laranja e morango. Observa√ß√£o: muita gente reluta em oferecer frutas c√≠tricas, com receio de que a acidez possa fazer mal ao est√īmago do c√£o. Isso √© uma inverdade. O pH do est√īmago canino √© baix√≠ssimo, ou seja, nem mesmo a fruta mais √°cida supera a acidez natural do est√īmago dos c√£es. Ofere√ßa peda√ßos dessas frutas se poss√≠vel diariamente, como lanche, mas sem exageros.

Legumes: piment√Ķes (principalmente os amarelos), br√≥colis, batata, couve, nabo.

Preparo dos legumes
A vitamina C √© um componente bastante vulner√°vel ao calor do cozimento. Se poss√≠vel ofere√ßa os alimentos citados acima crus (com exce√ß√£o da batata, que precisa sempre ser cozida), batidos no liquidificador ou processador com um pouquinho de √°gua para facilitar a digest√£o. Ao cozinhar batatas e outros alimentos, utilize pouca √°gua e n√£o deixe os vegetais amolecerem muito. Durante o cozimento boa parte dos nutrientes √© perdida para a √°gua. Prefira cozinhar os vegetais no vapor ‚Äď √© a alternativa que melhor preserva a vitamina C.

Vitamina C sintética (ácido ascórbico)
Prefira vitamina C com bioflavon√≥ides ‚Äď se n√£o encontrar em drogarias, √© poss√≠vel mandar manipular. Do contr√°rio, use vitamina C pedi√°trica em gotas ou em comprimidos de 500mg ou 1 grama. Cada gota tem, em m√©dia, 250mg de vitamina C. N√£o a pingue sobre alimentos quentes, sob risco de anular a vitamina. Sirva a refei√ß√£o imediatamente para que a vitamina n√£o sofra oxida√ß√£o.

Consulte seu médico-veterinário para saber as dosagens recomendadas para seu cão

Observa√ß√Ķes:
* Se preferir, alterne o uso de vitamina C sint√©tica com a oferta de alimentos ricos nesse nutriente. Isso evita que o organismo ‚Äúse acostume‚ÄĚ com a vitamina C sint√©tica e ela perca parte do efeito.

* C√£es e gatos diab√©ticos ou que apresentam c√°lculos renais n√£o devem receber suplementa√ß√£o de vitamina C. Na d√ļvida, consulte o m√©dico-veterin√°rio.

Glucosamina, Sulfato de Condroitina e Manganês
Suplementos √† base dessas subst√Ęncias s√£o recomendadas para prevenir e tratar as doen√ßas osteoarticulares. Como existem in√ļmeros produtos no mercado, pe√ßa uma indica√ß√£o ao seu m√©dico-veterin√°rio. A glucosamina e o sulfato de condroitina s√£o mol√©culas glic√≠dicas que comp√Ķem os proteoglicanos, elementos que formam as cartilagens articulares.

A glucosamina favorece a forma√ß√£o da nova cartilagem, agindo de forma complementar √† condroitina, que por sua vez, inibe a destrui√ß√£o da cartilagem. Embora ambas sejam encontradas nos tecidos cartilaginosos dos animais, a principal fonte de glucosamina √© a quitina, subst√Ęncia que reveste a casca dos camar√Ķes e as conchas dos caranguejos e das lagostas. J√° o mangan√™s √© um mineral-tra√ßo que ajuda a relaxar a musculatura e atr√°i a glucosamina e a condroitina para as √°reas que est√£o sofrendo degenera√ß√£o.

Ação da condroitina Fonte: livro Nutrientes que Alimentam, Previnem e Curam Cães e Gatos

Vitamina E
Em doses altas atua como um poderoso antioxidante, beneficiando tamb√©m a sa√ļde vascular e imunol√≥gica.
Consulte seu médico-veterinário para saber as dosagens recomendadas para seu cão

√ďleo de peixe (Fish Oil)
Rico em √īmegas-3, ajuda a reduzir a inflama√ß√£o e melhora a pele e a pelagem, al√©m de fortalecer a imunidade. N√£o confundir com √≥leo de f√≠gado de bacalhau.

√ďleo de coco
O óleo de coco é um suplemento um pouco caro (em média, R$ 40 o frasco com 400mL), mas que tem propriedades fantásticas. Segundo esse artigo publicado pelo médico Dr. Marcio Bontempo,

“Recentes pesquisas comprovam a atividade antiinflamat√≥ria do √≥leo de coco extra virgem devido √† sua capacidade de elevar os n√≠veis da interleucina 10, um poderoso agente antiinflamat√≥rio. Al√©m disso, (…) aumenta a absor√ß√£o de nutrientes, acelera o metabolismo, favorece aa perda de peso pela ‚Äúqueima‚ÄĚ de gorduras, ajuda a prevenir a osteoporose, aumenta os n√≠veis de energia, e, pela sua a√ß√£o antioxidante (√© rico em vitamina E), reduz o processo de envelhecimento.”

Você pode adquirir óleo de coco em lojas de produtos naturais, como essa, ou por meio de sites, como o Crianças na Cozinha, um endereço que sempre traz dicas interessantes sobre alimentação saudável.

L-Glutamina
Amino√°cido que ajuda a retardar a atrofia muscular.
Consulte seu médico-veterinário para saber as dosagens recomendadas para seu cão

Yucca
Um eficiente anti-inflamat√≥rio vegetal. Como a parte l√≠quida dessa planta √© a mais concentrada em propriedades, prefira comprar yucca em forma de tintura. N√£o deve ser oferecida ao pet de est√īmago vazio.
Consulte seu médico-veterinário para saber as dosagens recomendadas para seu cão

Homeopatia e Acupuntura
N√£o subestime os efeitos de terapias alternativas como a Homeopatia e a Acupuntura. Ambas podem fazer muito pelo animal displ√°sico no sentido de potencializar a regenera√ß√£o das cartilagens, fortalecer os m√ļsculos adjacentes e reduzir quadros de dor, inflama√ß√£o e rigidez articular. E o melhor: n√£o provocam efeitos colaterais ou estresse. Certamente valer√° a pena buscar indica√ß√£o de um bom m√©dico-veterin√°rio especialista em Acupuntura e/ou Homeopatia em sua regi√£o.

Referências Bibliográficas

Sites
* Orthopedic Foundation for Animals
* B-Naturals
* Canil Totem American Bulldogs
(o link direciona a um artigo imperdível sobre displasia coxofemoral em cães Рaltamente recomendado por ser bem escrito e muito completo!)

Livros
* Canine Nutrition – What Every Owner, Breeder and Trainer Should Know. D.V.M. Lowell Ackerman. 1999

* Veterinary Textbook of Internal Medicine. Ettinger, Feldman. 2006

* Tabela de Composição Química dos Alimentos. Guilherme Franco. 2008

* Dr. Pitcairn’s Complete Guide of Natural Health for Dogs & Cats. D.V.M. Richard Pitcairn. 2005

* Natural Health Bible for Dogs and Cats. D.V.M. Shawn Messonnier – 2001

* The Nature of Animal Healing. D.V.M. Martin Goldstein – 1999

* Nutrientes que Alimentam, Previnem e Curam C√£es e Gatos. Prof. Dominique Grandjean – 2003

* Em Defesa da Comida – um manifesto. Michael Pollan – 2008

* Plumb’s Veterinary Drug Handbook. Donald C. Plumb – 2004

* Food Pets Die For. Ann Martin – 2008

Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!

Atualizado em 21 de julho de 2009 por Sylvia Angélico