Muita gente tem me escrito perguntando o que pode e o que não pode ser oferecido aos pets e o que precisa ser evitado.
Vegetais (legumes e verduras) que podem ser oferecidos:
batata, mandioquinha, vagem, abóbora, abobrinha, almeirão, rúcula, cenoura, couve, escarola, pimentão verde, amarelo ou vermelho, aipo, beterraba, salsinha fresca, coentro, batata doce, aspargos, nabo, ervilha torta, alfafa, chuchu. Todos os túberculos (batata, mandioquinha, inhame e etc) devem ser oferecidos cozidos. Os outros podem ser servidos crus, mas neste caso devem ser liquidificados para facilitar a digestão.
Frutas que podem ser oferecidas:
maçã (sem sementes), banana, pêra (sem sementes), manga, mamão (sem sementes), figo, morango, goiaba.
Carnes que podem ser oferecidas como meaty bones (carnes com ossos):
frango, peru, pato, codorna, faisão, coelho, avestruz, chester, galinha, marreco, perdiz, cobra, jacaré, rã…
Nesta categora entram quaisquer cortes de carne cujos ossos possam ser ingeridos completamente pelos cães e que uma parte significativa da porção seja formada por ossos para garantir o equilíbrio entre o cálcio (fornecido pelo osso) e o fósforo (fornecido pela carne). Essa proporção em geral deve ser de 1,3 cálcio para 1 fósforo na alimentação de cães e 1:1 na alimentação de gatos.
Carnes oferecidas sem ossos:
porco - (retirar o excesso de gordura), boi, cabrito, cordeiro, búfalo, capivara, cateto, javali, canguru, peixes, frutos do mar.
Já que essas carnes são sem ossos, qualquer corte serve. Vai depender somente de quanto você está disposto a pagar.
Alguns ossos dessas carnes podem ser aproveitados para, periodicamente, promover a limpeza dos dentes dos cães.
Peixes
Peixes são muito nutritivos e bem-vindos na alimentação natural do pet. Dependendo de preço, disponibilidade e acesso, acrescente regularmente peixes à dieta do cão ou gato. Para meus pets, ofereço peixes semanalmente ou quinzenalmente. Mas conheço adeptos que, por conseguirem comprar o quilo do pescado a 1 real, oferecem esse alimento dia sim, dia não a seus animais. Sardinhas e cavalinhas são peixes em geral baratos e pequenos/médios que fornecem generosas quantidades de ômegas 3. Outras opções: manjuba, atum, san-pitter, pescada, salmão, etc. Seguindo as recomendações de médicos-veterinários como os idealizadores das dietas BARF e Raw meaty bones, ofereço os peixes inteiros - com cabeça, espinha e vísceras. Em se tratando de peixes maiores, com espinha mais dura, convém retirá-la antes de oferecer, se preferir.
As opiniões dos especialistas em alimentação natural se dividem quanto a cozinhar o peixe ou oferecê-lo cru. Acontece que a carne do peixe de água doce contém uma enzima chamada tiaminase, que degrada boa parte da importante vitamina tiamina (ou B1). Para evitar possíveis deficiências de vitamina B1 sugerimos cozinhar o peixe. O cozimento, seja ele como for, anula a tiaminase. Pessoalmente, prefiro o cozimento no vapor, por ser o que menos destrói nutrientes. Mas cozinhar na água (sem tempero) também é válido. Os pets adoram - os gatos aqui de casa, então, não páram de miar enquanto preparo peixe. Tenho até que tomar cuidado porque gatos amam peixes e se eu ceder à vontade deles, só vão querer saber de peixe, e isso não é saudável. Só para exemplificar, peixe cozido é pobre em taurina, que é um aminoácido essencial para os felinos.
O peixe - mesmo inteiro, pode contar como carne desossada e ser oferecido no jantar. Ou você pode oferecê-lo na refeição matinal como: substituto ocasional de meaty bones, ou acompanhado de alguns meaty bones ou acrescido de uma pitadinha de pó de casca de ovo - esses últimos (o pó e os meaty bones) fornecerão cálcio extra.
Ossos
Não ofereça ossos com tutano. O perigoso não é o tutano (embora em grande quantidade não seja recomendado pelo alto teor de gordura), mas sim esse tipo de osso. Ossos que contêm tutano normalmente são ossos longos, sólidos, e por isso, muito duros. Estes podem quebrar os dentes dos cães. Prefira ossos porosos, de formatos irregulares, contendo ainda um pouco de carne (sem excesso), e que não sejam ossos de membros (nunca dê um fêmur, por exemplo). Use o bom senso. Se achar que determinado osso é duro demais e na tentativa de mordê-lo o cão quebraria os dentes, não ofereça.
Alimentos que podem ser oferecidos, porém com cautela (não oferecer grandes quantidades nem repetir muitas vezes em pouco tempo):
espinafre, couve-flor, brócolis, repolho, beringela, abacaxi, laranja (sem sementes), mexirica (sem sementes), melancia (sem sementes), abacate, melão (sem sementes).
Alimentos proibidos (possivelmente tóxicos para cães):
Chocolate, açúcar, frituras, alho em excesso, cebola, macadâmias, chá preto, café, abacate, linhaça crua, bebidas alcólicas, batata germinada ou brotos de batata, pimenta, uva e uva passa, adoçantes, refrigerantes, folhas e caules de tomate, folhas de abacate, folhas e caules de batata, ruibarbo, folha de berinjela, folha de beterraba e sementes de frutas (podem ser cianogênicas).
Dica importantíssima: varie sempre, mesmo os alimentos permitidos. A dieta natural se baseia em um conceito de nutrição contínua, que se complementa a cada refeição. É a melhor maneira de evitar desbalanços, deficiências e excessos.

Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!
Publicado em 21 de outubro de 2008 por Sylvia Angélico
