Dietas para gatos

Escolha a dieta ideal para o seu felino de estimação

Aqui no Cachorro Verde você vai encontrar informações para preparar três tipos de dietas caseiras balanceadas para gatos adultos, filhotes e idosos. São elas:

As três formas são balanceadas e baseadas em dietas postuladas por médicos-veterinários autores de livros consagrados – as referências estão informadas no material de cada modelo de dieta. Portanto, se você seguir minhas orientações à risca, nada faltará ao seu bichano. Os requerimentos nutricionais dele serão plenamente atendidos com uma dieta fresca, variada e natural!

Mas diante dessas opções – com ossos, sem ossos, crua, cozida – qual modalidade escolher? Falemos um pouquinho sobre vantagens e desvantagens de cada uma.

Alimentação Natural crua com ossos

Vantagens

  • É a mais natural das 3 ANs. Isso porque de todas as dietas abordadas no nosso site, é a que mais se assemelha à composição natural de uma presa. E ninguém sabe melhor que a Natureza sobre como nutrir o predador felino!
  • Combate o tártaro. Quando o gato aceita mastigar ossos carnudos crus em pedaços ou inteiros, a dieta promove a saúde dos dentes e gengivas, desfazendo a placa bacteriana e prevenindo o tártaro.
  • Estímulo mental e fortalecimento muscular. Quando o gato aceita ossos crus em pedaços ou inteiros, a mastigação decorrente proporciona enriquecimento mental e fortalecimento de músculos faciais e do pescoço.
  • Nutrientes dos ossos. A presença de ossos carnudos crus enriquece a dieta com colágeno, cartilagem, condroitina (que ajuda a proteger as articulações), tendões, ligamentos, além de proteína e um monte de minerais, dentre eles cálcio na medida certa.
  • Dispensa totalmente a adição de cálcio. A generosa proporção de ossos da dieta fornece todo o cálcio que o bichano precisa, exatamente da forma como ele receberia esse mineral se vivesse na natureza.
  • Mais econômica. A AN crua com ossos costuma ser um pouco mais barata que as demais dietas por conter uma boa proporção de ossos carnudos crus de frango, peças em geral mais em conta que carne desossada.
  • Mais prática. Porque a dieta é 100% crua ou predominantemente crua. Basta montar as porções respeitando as proporções que ensinamos, congelar (para armazenar), descongelar e servir! Nada de cozinhar tudo, sujar panelas e depois ter que lavar um montão de louças.

Desvantagens

  • Pode requerer moedor de ossos. Você precisará triturar os ossos se o gato não aceitar ossos carnudos crus inteiros ou em pedaços e se ele não puder mastigar devido à falta de dentes ou dificuldade de deglutição. Uma parcela dos gatos só aceita a dieta se os ossos estiverem totalmente triturados, com consistência de patê. Aí vale a pena consultar o açougueiro e ver se ele pode moer os ossos. Em caso negativo, a recomendação é fazer como os adeptos de AN crua com ossos nos Estados Unidos, Oceania e Canadá: investir em um potente moedor de carnes. Como esse ou esse que infelizmente não são fáceis de encontrar no Brasil.
  • Encontrar ossos carnudos crus. Você pode basear a dieta em peças de frango, como pescoço, cabeça e dorso de frango, que são mais baratas e fáceis de encontrar. Mas mesmo essas peças podem não ser fáceis de achar dependendo da região onde você mora. A oferta de pescoço é infrequente no Sul do país, por exemplo. O frango pode ser substituído por pato, coelho, codorna, rã e algumas partes do peru, mas isso pode tornar a dieta cara. Principalmente se você possui mais de um gato.
  • Requer freezer ou congelador. Carnes, vísceras, ossos e peixes crus precisam passar alguns dias congelados antes de serem servidos ao gato – detalhes desse procedimento estão informados no material das dietas cruas. Congelar as peças inativa parasitos como cistos de tênias e protozoários (toxoplasma). Sem esse cuidado, não é seguro oferecer dieta crua ao pet.

Alimentação Natural crua sem ossos

Vantagens

  • Bem aceita por gatos que não gostam de mastigar ossos. A ausência de ossos carnudos crus nessa dieta elimina partes duras que alguns gatos não curtem mastigar.
  • Você não precisa ficar procurando fornecedores de ossos carnudos crus. Localizar um fornecedor confiável de ossos carnudos crus não é fácil dependendo de onde você mora. Esse modelo de dieta dispensa esse ingrediente, facilitando a vida.
  • Moer carnes é mais fácil que moer ossos. Embora muitos gatos aceitem comer carne cortada em cubos – o que é o ideal para auxiliar na limpeza dos dentes – uma parcela só aceita carne moída. Mas tudo bem, porque pelo menos é fácil bandejinhas de carne moída nos supermercados e também dá pra triturar carne em casa usando aparelhos bem mais simples que moedores. Um mixer (processador) pequeno já dá conta do recado!
  • Mais prática. Porque é 100% crua ou predominantemente crua. Basta montar as porções respeitando as proporções que ensinamos, congelar (para armazenar), descongelar e servir! Nada de cozinhar tudo, sujar panelas e depois ter que lavar um montão de louças.
  • Permite variar mais. Uma grande parte dos adeptos da AN crua com ossos acaba oferecendo apenas ossos carnudos crus de frango por essas peças serem mais baratas e fáceis de encontrar que codorna, pato, rã e coelho. Como a AN crua sem ossos não tem ossos carnudos crus, é possível variar mais as espécies de carnes desossadas oferecidas. 

Desvantagens

  • Requer adição de cálcio. Não entram ossos nessa dieta; logo, você precisa suplementar cálcio. Há formas de fazer isso com sucesso, como adicionando a quantidade certa de pó de cascas de ovos à dieta ou aviando cálcio em farmácia de manipulação e incluindo o conteúdo de um sachê ou cápsula à mistura que será servida, diariamente.
  • Requer freezer ou congelador. Carnes, vísceras e peixes crus precisam passar alguns dias congelados antes de serem servidos ao gato – detalhes desse procedimento estão informados no material das dietas cruas. Congelar as peças inativa parasitos como cistos de tênias e protozoários (toxoplasma). Sem esse cuidado, não é seguro oferecer dieta crua ao pet.

Alimentação Natural cozida

Vantagens

  • Agrada o paladar exigente. Tem gato que só aceita carnes e vísceras cozidas. É justificável. Carnes e vísceras cozidas apresentam um cheirinho irresistível – e odor conta mais que sabor para os bichanos.
  • Alguns gatos não se adaptam a carnes cruas. Gatos que vomitam ou tem alterações nas fezes (muco, diarreia) por consumo de carnes cruas são minoria absoluta, mas pode acontecer. Em geral, esses sintomas não ocorrem com carnes cozidas.
  • Algumas pessoas não se sentem confortáveis oferecendo carnes cruas ao gato. Se esse é o seu caso, não deixe esse detalhe te impedir de estender ao seu gato os benefícios fantásticos dos alimentos naturais. Cozinhe tudo! Seu peludo ainda receberá uma dieta anos-luz à frente da maioria das rações comerciais.
  • Não requer congelamento prévio em freezer. O cozimento destrói parasitos porventura presentes nas peças cruas, como cistos de tênias e o protozoário toxoplasma. É cozinhar e servir!

Desvantagens

  • Mais trabalhosa. Nesse modelo de dieta você cozinha tudo. Isso aumenta o trabalho que a dieta dá. Mas não é nenhum bicho de sete cabeças, como você verá no material da dieta cozida. Questão de se organizar!
  • Carnes e vísceras cozidas rendem menos. O cozimento desidrata carnes, vísceras e peixes, rendendo porções menores. Como a pesagem dos alimentos é feita depois do cozimento, você precisará comprar uma quantidade maior de carnes, vísceras e peixes do que se fosse oferecer esses mesmos itens crus. Isso acaba encarecendo a dieta.
  • Requer adição de cálcio. Não entram ossos nessa dieta; logo, você precisa suplementar cálcio. Há formas de fazer isso com sucesso, adicionando a quantidade certa de farinha de cascas de ovos à dieta ou mandando aviar cálcio em farmácia de manipulação. Ambas as formas são abordadas em detalhes nos artigos.
  • Carnes muito cozidas são consideravelmente menos nutritivas. Carnes cruas ou mal passadas fornecem o aminoácido taurina, fundamental para a saúde do coração e olhos do gato. O cozimento destrói enzimas e grande parte da taurina e prejudica outros elementos, como as vitaminas. Para seu bichano extrair o máximo de nutrientes da dieta cozida, cozinhe levemente carnes, vísceras e peixes. Apenas até mudar de cor, por exemplo.

Posso variar entre os tipos de dieta ou devo escolher apenas uma?

Variar as modalidades de dieta provavelmente não traria problemas se estivéssemos falando de cães, que geralmente comem qualquer tipo de comida que colocamos na vasilha deles. Com gatos, variar entre dieta crua e cozida, com e sem ossos, pode ser um problema. Ao ser apresentado a carnes cozidas, um gato que antes aceitava bem a AN crua pode não aceitar voltar à comida crua. Alguns felinos mais apegados à rotina e constância podem ficar confusos ou perdidos em meio a muita variedade e se recusarem a comer por ansiedade.

Minha sugestão: levando em conta o jeitão do seu bichano e os prós e contras de cada dieta expostos acima comece pela AN que você acha que tem mais chances de sucesso. Se você acha que seu gato tem chance de aceitar bem a AN crua com ossos, comece por ela, porque é a melhor AN para gatos, na minha opinião, mas também a mais difícil de ser introduzida. Deixe a AN cozida para casos realmente difíceis, de gatinhos extremamente enjoados pra comer.

Em alguns casos, o bichano nos obriga a mudar o modelo de dieta simplesmente porque deixa de aceitar a dieta que vinha recebendo até então. Isso aconteceu com dois gatos que moraram comigo. Suei muito para convertê-los da ração seca para AN crua com ossos. Um deles vinha aceitando bem a comida e do nada passou a rejeitar os ossos. Aí não tive alternativa e passei a adotar AN crua sem ossos para ambos.

A experiência da Alimentação Natural com meus gatos

Em 2008 converti com sucesso minha turma canina para a Alimentação Natural crua (AN crua). Estava confiante e achei que era a vez de mudar também a dieta dos meus felinos – Arthur e Yoshi – que até então recebiam uma ração seca considerada de boa qualidade.

Esses gatos soltavam muito pelo, faziam cocôs bem formados, mas enormes e extremamente fedidos, e o Arthur (um Persa), produzia remelas escuras e grossas imediatamente após comer a ração. Como se não bastasse, era difícil mantê-los no peso saudável. Eles pareciam inchados, com uma gordurinha pendular no abdômen.

tutsOptei por começar pela AN crua com ossos. Apresentei o conceito oferecendo a eles pedacinhos de frango cru. Ficaram curiosos, cheiraram bastante e até arriscaram colocar na boca, mas cuspiram tudo em seguida, fazendo careta. Era como se não fizessem a menor ideia de como abordar alimentos que não fossem os croquetinhos de ração seca.

O fato é que não sabiam mesmo, porque sempre comeram apenas ração. Entendi, naquele momento, que precisaria ser muito insistente. E paciente.

Seguindo dicas de adeptos experientes em AN para gatos, deixei minha dupla em jejum por 12 horas para estimular o apetite e depois ofereci ração úmida, aquela de latinha. Usei esse tipo de ração para eles se acostumarem com comida de textura molhada e macia. E funcionou. Aceitaram bem.

Aos poucos, fui adicionando pedacinhos de carnes cruas à ração de lata e eles continuaram comendo. Ao longo de algumas semanas, fui aumentando a quantidade e variedade de alimentos naturais picadinhos oferecidos, e reduzindo a quantidade de ração. Yoshi, em particular, abraçou com gosto a AN crua com ossos: comia cabeça de frango inteira, roía pé de frango cru, se deliciava com fígado e não ligava que os cubos de carnes desossadas estavam besuntados em pasta de vegetais com alguns suplementos.

Arthur era mais resistente. Comia sem muita empolgação e exibia uma clara preferência por carnes desossadas em detrimento dos ossos, vísceras e todo o resto. Logo ficou claro pra mim que o melhor seria adotar uma versão 100% triturada da dieta, com tudo misturado, para impedir o Arthur de separar a carne do resto.

Foi o que passei a fazer. Destinei um pequeno mixer (processador) da Walita a essa tarefa e triturei ossos carnudos crus com carnes, vísceras e legumes. O Yoshi continuou comendo feliz da vida. Arthur aceitou melhor esse patezão e os meses foram passando. Ambos atingiram um patamar incrível de saúde: a queda de pelos reduziu muito, a pelagem estava brilhante e muito sedosa, as barriguinhas pendulares secaram, os músculos ficaram bem mais evidentes (gatinhos sarados!) e os cocôs quase não tinham cheiro e eram super sequinhos e menores.

Até o Arthur parar de colaborar.

yoshiEu preparava a comida fresquinha e servia na tigela de cada um. Yoshi comia uma boa quantidade e saía para sua voltinha. Arthur miava ansioso, indicando estar com fome, mas só aceitava uma bocadinha da comida. Não havia nada errado com ele – não estava com dor, ou com problema na boca, nada. Procurei variar mais os ingredientes e não adiantou. Parti para a versão sem ossos da dieta, a AN crua sem ossos. Aquecia, servia fria, adicionava caldinhos. Nada. Continuou comendo que nem um passarinho. E o pior: começou a emagrecer.

Um dia, tendo cozinhado lentilhas para mim, percebi que ele demonstrava interesse por elas. Servi um pouquinho de lentilhas cozidas a ele e, para a minha surpresa, Arthur devorou avidamente cada grão da leguminosa. Intuí que só podia ser saudade da ração seca. Devia achar que lentilha era um tipo de ração.

Mas eu não estava disposta a ceder tão facilmente. Comprei algumas latas de ração úmida. Por conter aproximadamente 70% de água e menos carboidratos e conservantes, a ração úmida costuma ser uma opção de dieta mais saudável para o gato. Felizmente – embora eu não tivesse ficado nada feliz com isso – ele aceitou a ração de lata e voltou a se alimentar bem. (Enquanto isso, Yoshi continuava firme na AN crua com ossos.) Mas minha tranquilidade em relação à dieta do Arthur não durou muito.

Mais uma vez começou a sobrar comida no prato. E com ração úmida não dá pra bobear: exposta ao ar livre ela desidrata e estraga, justamente por (geralmente) não conter conservantes e por ser úmida. Comecei a jogar um monte de ração úmida no lixo. Troquei as marcas, variei os sabores e nada do consumo do Sr. Arthur estabilizar. Foi nessa época que perdi o Yoshi – quando saiu para uma de suas voltinhas e não retornou.

Cheguei a um ponto em que o Arthur não me deixou alternativa. E então voltei à ração seca, arrasada. Ele, ao contrário, estava radiante. Ao ver o pacote, só faltou cantar e dar piruetas. Parecia um gato de propaganda de ração, de tão afoito pra cair de boca nas bolinhas marrons. Eu estava diante de um clássico e irrecuperável “junkie-cat” – um felino viciado em ração seca – e precisei aceitar isso. Seu estado geral, claro, voltou à situação inicial: fezes volumosas e pestilentas de tão fedidas, olhos remelentos, queda regular de pelos e barriguinha saliente.

Nos meus cursos brinco que o Arthur me obriga a ir disfarçada na loja de ração comprar os pacotes dele. Que o Arthur é a ovelha negra da família por suas preferências alimentares. Brincadeiras à parte, precisei aceitar que ele não pôde ser convertido. Nem a Pat Feldman, que oferecia às suas Persinhas uma mistura crua super bacana de carne com gema de ovo e uns complementos, conseguiu convencer o Arthur quando ele ficou hospedado na casa dela enquanto eu viajava.

Moral da história: a gente sempre pode (e deve!) tentar mudar a dieta dos bichanos para uma opção natural. O impacto positivo na saúde geral deles é extraordinário. Mas, mesmo com muita boa vontade e insistência, nem sempre a gente consegue convencer um felino adulto viciado em ração a abraçar uma dieta caseira. Com o Yoshi foi até fácil e deu certo – pelo menos até o pobrezinho desaparecer. Com o Arthur, não deu. Aprendi muito com ambos.

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