Quer ter um pet saudável? Além de oferecer uma dieta caseira natural, balanceada, de altíssimo valor biológico e apropriada à espécie do animal de estimação, você precisa aprender sobre vacinas. Sim, vacinas. Na opinião de muitos especialistas, o excesso de vacinas que grande parte dos veterinários vem aplicando anualmente nos pacientes, além de ser absolutamente desnecessário, pode trazer consequências negativas à saúde do cão ou gato.

Temos dois textos publicados sobre o assunto no site do Cachorro Verde:  Seu Pet é Supervacinado? e Vacinação dos Pets a Cada Três Anos? – não deixe de lê-los.  E agora trazemos um artigo escrito pela médica-veterinária holística norte-americana, Dra. Karen Becker, traduzido por nós para o português. Para conferi-lo no idioma original, clique sobre a figura abaixo. E não deixe também de visitar os links que relacionamos ao final do texto. É muita gente – veterinários, pesquisadores – alertando sobre os perigos da supervacinação.

Saiba que não somos contra a imunização com vacinas. Pelo contrário. Vacinas para pets são indispensáveis. Todos os nossos cães e gatos foram vacinados. O que defendemos é a elaboração de protocolos vacinais sensatos e realistas, levando em consideração particularidades de cada paciente, coisa bem diferente do lucrativo oba-oba que a vacinação se tornou de algumas décadas para cá.

Afinal, pensando na gente, quem é que toma 10 vacinas anualmente para o resto da vida? E olha que entramos em contato com centenas de pessoas todos os dias! Por que é que com nossos pets a coisa é tão diferente?

Quanto dinheiro você está jogando fora com vacinas para pets?

Indústrias farmacêuticas famintas por lucro e veterinários estão amedrontando proprietários de cães a fim de inocularem os pets com maior frequência do que o necessário, de acordo com a entidade britânica Canine Health Concern (algo como Preocupação com a Saúde Canina).

Alguns filhotes desenvolvem afecções incluindo autismo e epilepsia após receberem as injeções, alerta o órgão. Catherine O’Driscoll, da entidade, comenta: “Não somos contra a vacinação. O que estamos dizendo é que atualmente nossos pets estão rebendo vacinas demais. As últimas pesquisas científicas mostram que após a primeira série de vacinas no filhote a maior parte dos cães está imune contra essas doenças por pelo menos sete anos, se não por toda a vida.”

O Canine Health Concern alega que alguns cães filhotes e adultos sofreram dramáticas alterações de comportamento ou foram diagnosticados com câncer dentro de meses após receberem as injeções de vacinas.

Em uma carta (clique aqui para conferi-la em português) assinada por 17 veterinários e outros especialistas em pets, a entidade solicitava que o Veterinary Medicines Directorate (Diretório de Medicinas Veterinárias), responsável por monitorar as vacinas destinadas aos animais, emitisse novas orientações quanto ao seu uso.

O atual protocolo vacinal canino empregado por muitos veterinários recomenda imunizações anuais para as seguintes doenças:

  • Raiva
  • Parvovirose
  • Cinomose
  • Hepatite Infecciosa Canina
  • Parainfluenza
  • Leptospirose
  • Coronavirose
  • Adenovirose II
  • Traqueobronquite Infecciosa Canina (Tosse dos Canis)

O protocolo anual para vacinação de gatos inclui vacinas para:

  • Raiva
  • Leucemia Felina (FeLV)
  • Panleucopenia
  • Rinotraqueíte
  • Calicivirose

Dependendo dos fatores de risco, seu veterinário pode ainda sugerir que seu gato receba vacinas para clamidiose, peritonite infecciosa felina (PIF) e dermatofitose (micose). Vacinas adicionais para cães incluem a vacina contra giardíase, bem como uma vacina – ainda inédita no Brasil – que combate a placa bacteriana e o tártaro (vacina contra a bactéria Porphyromonas)!

A recomendação típica para o protocolo vacinal vitalíceo de imunização para pets:

  • 1a dose de V8 ou V10 com 7-8 semanas de vida
  • 2a dose de V8 ou V10 com 10-11 semanas de vida
  • 3a dose com V8 ou V10 13-14 semanas de vida
  • uma dose da anti-rábica com 4-5 meses de idade
  • reforço da V8 ou V10 aos 12 meses de idade
  • reforço anual com V8 ou V10 + anti-rábica para o resto da vida

Acredite ou não, essas recomendações não foram desenvolvidas com base em nenhum estudo científico – elas são apenas “recomendações” no sentido mais puro da palavra.

Essas recomendações inteiramente não-científicas foram introduzidas pelo USDA – United States Drug Association (Associação de Drogas dos Estados Unidos) e fabricantes de vacinas há mais de 20 anos, e muitos veterinários continuam a segui-las hoje em dia apesar das crescentes preocupações sobre os riscos de saúde associados com o excesso de vacinações.

A prática de re-vacinar pode prejudicar a saúde de seu pet

Uma vez que seu filhote de cão ou gato esteja completamente imunizado contra vírus, ele ficará imune por anos, e frequentemente, por toda a vida.  Vacinar contra patógenos bacterianos cria uma memória (celular) no sistema imunológico do pet que ajuda a protegê-lo quando ele se expõe a microorganismos perigosos.

Depois que seu pet recebeu todas as vacinas de filhotes, os anticorpos que ele desenvolveu contra os vírus aos quais ele foi imunizado irão protegê-lo também desses mesmos vírus quando estes forem inoculados nas vacinações futuras.

Em outras palavras, se as vacinas aplicadas na série de filhote foram bem-sucedidas, a resposta de seu sistema imune às vacinas subsequentes irá combater o efeito das novas aplicações, tornando-as inúteis.

Mas vacinas, como qualquer fármaco, não são livres de efeitos colaterais. Portanto, realizar o reforço vacinal contra os mesmos patógenos (microorganismos causadores de doenças) ano após ano é mais do que um desperdício do seu dinheiro – também acarreta riscos cada vez maiores à saúde do seu pet.

Muitas pessoas na comunidade veterinária holística acreditam que o que as vacinas fazem dentro do corpo do seu pet é transformar a forma das doenças de aguda para crônica.  Por exemplo, os sintomas do vírus da panleucopenia felina são gastrointestinais e incluem episódios súbitos e intensos de vômitos e diarréia. O parvovírus canino causa sintomas similares.

Os pets são vacinados de forma rotineira contra essas duas doenças, e a incidência de doença inflamatória intestinal (inflammatory bowel disease), uma afecção auto-imune crônica dos intestinos, tem aumentado muito em cães e gatos. Coincidência? Improvável.

Também existe uma potencial conexão entre a vacina de raiva e o aumento nos últimos 20 a 30 anos no número de animais de estimação medrosos e agressivos.

Existe preocupação, entre muitos profissionais veterinários de que a vacinação é um fator de risco para sérias doenças auto-imunes como o distúrbio canino potencialmente fatal conhecido como anemia hemolítica auto-imune (AHAI).

Reações vacinais retardadas podem ocasionar doença tireoidiana, alergia, artrite, tumores e convulsões em cães e gatos. Existe ainda a evidência de uma conexão entre as imunizações felinas e o aparecimento de sarcoma induzido por aplicações de vacinas (um agressivo tumor maligno).

Como ser um esperto consumidor de vacinas

  1. Discuta quais tipos de vacinas seu pet necessita, e com que frequência, com seu veterinário. Recomendo enfaticamente que você busque um veterinário holístico para cuidar de seu pet, especialmente quando o assunto é vacinação. Se você não consegue encontrar um veterinário holístico em sua região, certifique-se de não levar seu animal a consultórios que promovem reforços vacinais anuais, ou que vendem “pacotes para filhotes”, nos quais você compra todas as vacinas a “preços promocionais”. E não contrate os serviços de nenhum hotel, tosador, centro de adestramento ou creche que exija que você vacine seu pet mais do que o necessário. Idealmente, pessoas bem informadas na comunidade pet aceitam laudos de titulação de anticorpos (que comprovam que seu pet ainda apresenta anticorpos da última vacina que ele recebeu). Procure laboratórios que realizam exames de titulação de anticorpos vacinais.
  2. Certifique-se de que cada vacina que seu cão ou gato recebe atende aos seguintes critérios:
    • Protege contra uma doença grave (o que já risca muitas das vacinas da lista anteriormente citada).
    • Seu pet corre risco de ser exposto a essa doença (gatos mantidos em ambientes internos têm pouco ou nenhuma exposição).
    • A vacina é considerada efetiva e segura.
    • Se você optar por vacinar o pet, peça ao seu veterinário holístico que prescreva um remédio homeopático que desintoxica e minimiza os efeitos deletérios das vacinas, chamado Thuja (pode ser usado para qualquer vacina, com a exceção da anti-rábica).
  3. Não vacine seu cão ou gato se ele já apresentou alguma séria reação vacinal.
  4. A vacina contra raiva é exigida por lei. Nos Estados Unidos, existem duas variedades da mesma vacina – a vacina anti-rábica anual e a vacina anti-rábica trienal. Solicite a vacina anti-rábica que vale por três anos e, peça que seu veterinário holístico prescreva o remédio homeopático que desintoxica o organismo dos efeitos da vacina anti-rábica, chamado Lyssina (Lyssin). Insista para que a primeira dose da anti-rábica seja aplicada após os 4 meses de idade, de preferência próximo dos 6 meses, para reduzir possíveis reações.
  5. Insista para obter um exame de titulação de anticorpos vacinais. Esse teste irá ajudar você e seu veterinário a determinar se seu pet ainda conta com proteção imunológica das vacinações anteriores. Os níveis de anticorpos são mensuráveis por meio de um exame de sangue. O tipo de exame de titulação que melhor verifica a resposta imunológica às vacinas é chamado de  imunofluorescência indireta para detecção de anticorpos. Muitos hospitais veterinários estaduais nos EUA estão oferecendo esse teste, assim como laboratórios veterinários privados, como Antech ou Idexx (no Brasil, creio que o laboratório Tecsa também ofereça esse serviço).  Lembre-se: não se pode acrescentar imunidade a um pet já imune. Então, não fique vacinando!
  6. Discuta com seu veterinário os riscos versus os benefícios das vacinas que você está considerando aplicar, bem como a possibilidade real de seu pet entrar em contato com aquela doença.
  7. Se seu gato é mantido dentro de casa ou dentro do apartamento sem nunca sair e se expor a risco de doenças infecciosas, ele não precisa ser vacinado anualmente. Acredito que o excesso de vacinas seja uma das principais razões por trás da deterioração na saúde geral dos gatos domésticos.

E as vacinas para filhotes de cães e gatos – são realmente seguras?

Animais de companhia não nascem com imunidade capaz de protegê-los por toda vida; essa imunidade precisa ser estabelecida. E, diferentemente de muitas das doenças infecciosas humanas que foram erradicadas, ainda existe muita incidência de parvovirose e cinomose nos Estados Unidos anualmente.

Como afirma o médico-veterinário Dr. Ron Schultz (diretor do Departamento de Imunologia da Faculdade de Veterinária da Universidade de Wisconsin), idealmente “cães mais imunizados deveriam receber menos vacinas, e cães menos imunizados deveriam receber mais vacinas.”

Na verdade, veterinários ainda atendem muitos cães e gatos jovens que morrem de doenças infecciosas que poderiam ter sido prevenidas com vacinas. O motivo pelo qual essas doenças ainda não foram erradicadas é que existem muitos pets não vacinados que carregam essas doenças.

O Dr. Schulz argumenta que se esses animais estiverem protegidos contra doenças, menos doenças seriam transmitidas. Da mesma forma, se pararmos de vacinar desnecessariamente animais que já estão imunizados, menos doenças degenerativas ocorreriam. E ele está certo.

Na minha clínica Natural Pet Animal Hospital, nós individualizamos todos os protocolos vacinais a fim de minimizar os riscos e potencializar a proteção, levando em consideração a raça, o histórico (o filhote é órfão? etc), o estado nutricional e a vitalidade geral.

Na maior parte das vezes, em relação aos animais saudáveis, seguimos o protocolo do Dr. Schultz: aplicamos uma vacina bivalente (que protege contra apenas duas doença) contra cinomose e parvovirose aos 3 meses de idade ou antes disso, e outra dose depois de 14 semanas de vida. Submetemos os pacientes ao exame de titulação de anticorpos duas semanas depois da última vacina e se eles estiverem devidamente imunizados, estarão protegidos por toda a vida.

Bacana, né?

Se o exame de titulação do animal indicar que os níveis de anticorpos estão baixos, recomendamos um reforço apenas para aquele vírus específico contra o qual existe um número insuficiente de anticorpos. Daí a importância de trabalhar com um veterinário holístico que disponha de vacinas únicas ou monovalentes (vacinas que protegem contra apenas uma doença, e que justamente por isso, acarretam menos efeitos colaterais).

Não usamos ou recomendamos o uso de vacinas polivalentes, também chamadas de múltiplas ou combinadas, (que protegem contra 6, 8, 10 ou 11 doenças simultaneamente), que são a escolha tradicional para o reforço vacinal anual. Também oferecemos a opção de estimular o sistema imunológico do pet naturalmente com nosódios homeopáticos, mas os nosódios não são garantidamente eficientes e não resultarão em uma titulação mensurável.

Para saber mais:

Livros

Também recomendamos enfaticamente a leitura dos capítulos sobre vacinação dos (excelentes) livros:

E as comunidades / fóruns:

(em portuguê
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