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Sabe aquele cheiro de salgadinho de milho nas patas e ouvidos dos cães? Pois é; o “chulézinho canino” é causado pela levedura Malassezia pachydermatis, tipo de fungo. Em circunstâncias normais, a malassezia coexiste com outros microorganismos na pele canina sem causar transtornos ao hospedeiro.

No entanto, condições como disbiose (desequilíbrio do ecossistema microbiano da pele), uso de antibióticos ou corticoides, defeitos congênitos na epiderme, dobras cutâneas (como nos buldogues), alergias, umidade e doenças endócrinas, podem levar à proliferação excessiva da malassezia. Isso resulta na malasseziose, causa super comum de dermatite e otite em cães – e menos frequente nos gatos.
A malasseziose aparece em dobras de pele, dentro dos ouvidos, nas patas e axilas – mas já vi tomar o corpo todo. A pele inflamada produz uma secreção oleosa e amarronzada com um mau cheiro bem característico. Para piorar, a explosão populacional da levedura irrita o sistema imune causando coceira e pode deflagrar outros quadros alérgicos, como a atopia.

Raças mais propensas ter malasseziose incluem o West Highland White Terrier, Shih Tzu, Shar Pei, Pug e os buldogues, mas já vi o quadro em diversas outras raças. O diagnóstico é feito pela observação dos sinais clínicos e de citologia e cultura fúngica. O tratamento convencional da malasseziose envolve o uso de antimicrobianos tópicos e/ou antifúngicos administrados por via oral, como o Itraconazol e o Cetoconazol. Mas devido à assustadora resistência crescente das leveduras e ao potencial hepatotóxico dos antifúngicos, medidas complementares são importantes.

 

 

Substituir a ração por Alimentação Natural, de preferência hipoalergênica e baixa em carboidratos (leveduras adoram açúcares!), é essencial. Banhos frequentes com shampoo à base de óleo de melaleuca, limpeza regular dos ouvidos e das dobras cutâneas, juntamente com lavapés antissépticos com iodopovidona, são úteis. Óleo de orégano, óleo de coco, vinagre de maçã, lactoferrina, betaglucanas, cogumelos, vegetais fermentados e transplante de fezes também podem ajudar.

Sylvia Angélico
Médica Veterinária
pós-graduada em Nutrição Animal
CRMV-SP 29945

Comunicado Cachorro Verde

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