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Vísceras, principalmente as conhecidas como secretórias – fígado, rim, baço, cérebro – são uma adição tão importante na Alimentação Natural (AN) de cães e gatos que têm sua própria categoria fixa na dieta.

Elas são tão ricas em nutrientes, que basta um pouquinho de vísceras secretórias para fornecer generosamente as vitaminas do complexo B, selênio, ferro, cobre e vitamina A.

A propósito, se quiser saber mais sobre o perfil nutricional e quanto oferecer de vísceras secretórias e musculares, recomendo a leitura de um post que escrevi esse ano sobre esses alimentos: Vísceras secretórias ou musculares.

A inclusão de vísceras na AN geralmente gira em torno de 3% a até 10% do total de alimentos da dieta. (Aliás, é importante dizer que geralmente não recomendo ultrapassar 10% de inclusão de vísceras secretórias, para não extrapolar os teores de fósforo, cobre e vitamina A da dieta, o que pode ser prejudicial.)

Grande parte dos cães e gatos come feliz a porçãozinha de vísceras da dieta. Mas de vez em quando aparece um peludo que larga o pedacinho de víscera no prato. O que fazer nessa situação, sabendo que a presença de vísceras secretórias na AN é tão enriquecedora?

Secretórias

As informações desse post se referem às vísceras secretórias (fígado, baço, rim e cérebro) e não às vísceras musculares (coração, moela, bucho, pulmão, língua). Só pra contextualizar, enquanto as do primeiro tipo são ricas em nutrientes e entram em quantidade pequena na dieta; as do segundo tipo se assemelham nutricionalmente a carnes e podem ser incluídas em maior quantidade.

Varie

Pode ser que o seu peludo prefira o fígado bovino ao de frango. E se ele não gosta de nenhum tipo de fígado, pode ser que curta baço, rim ou cérebro. Varie entre vísceras secretórias diferentes e, se possível, de espécies de animais diferentes, se encontrar.

Cozinhe

Seu gato ou cachorro come AN crua? Vísceras cruas têm uma textura viscosa que alguns pets estranham. Uma conduta simples que torna o pedacinho de víscera mais firme e muito mais atraente é selar de leve em frigideira, com um fio de azeite, óleo de côco ou manteiga.

Triture com carne

Ela continua rejeitando? Experimente triturar em processador ou mixer a porção de víscera com a porção de carne desossada da dieta, para disfarçá-la.

Sirva menos

Ainda nada de sucesso? Reduza a quantidade de vísceras. Elas correspondiam a 10% da dieta? Diminua para 5%. Você tinha tentado servir 5%? Reduza para 2,5%. Inclua essa mini porção na refeição que é servida no horário de mais apetite do seu pet.

Vísceras crocantes

Alguns cães e gatos que rejeitam vísceras in natura aceitam essas mesmas vísceras desidratadas, preparadas por empresas de petiscos naturais. Assim, elas ficam sequinhas e crocantes. Mas atenção: alimentos desidratados são muito mais concentrados. Dê ⅓ da quantidade em gramas que você serviria da víscera fresca.

Vísceras em pó

Pensando em pets que rejeitam vísceras ou que precisam de um reforço de ferro e vitamina B12 na dieta algumas empresas comercializam um mix de vísceras em pó. É o caso do Booster de vísceras da Lecker e do Super Powder da The Hungry Dog. Polvilhe a dose indicada sobre a refeição e sirva.

Suplemento

Para peludos resistentes a todas as dicas acima ou intolerantes a vísceras secretórias, é importante enriquecer a dieta com os nutrientes que as vísceras forneceriam. Uma saída é o suplemento vitamínico-mineral comercial “Food Dog – Basic”, formulado para equilibrar dietas naturais sem vísceras.

Intolerância

Alguns pets comem vísceras secretórias, mas não as toleram bem. Basta comerem um pouquinho para terem alteração nas fezes. Se é o caso do seu peludo, reduza a quantidade, troque o tipo de fígado (o de frango costuma dar mais reação), evite vísceras desidratadas e procure servir vísceras em dias alternados ao invés de diariamente.

Sylvia Angélico
Médica Veterinária
pós-graduada em Nutrição Animal
CRMV-SP 29945

Comunicado Cachorro Verde

As informações divulgadas em nossas postagens possuem caráter exclusivamente educativo e não substituem as recomendações do médico-veterinário do seu cão ou gato. Por questões ético-profissionais, a Dra. Sylvia Angélico não pode responder certas dúvidas específicas sobre questões médicas do seu animal ou fazer recomendações para seu pet fora do âmbito de uma consulta personalizada. Protocolos de tratamento devem sempre ser elaborados e acompanhados pelo médico-veterinário de sua confiança.

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